Recordar não é viver, é enterrar-se.
Viver é existir no tempo presente, respirar o ar que nos rodeia aqui e não lembrar o cheiro da rosa que sentimos antes.
Experimenta alimentar-te da maçã que saboreaste a semana passada. Onde estão as suas cascas e restos?
To see a world in a grain of sand, And a heaven in a wild flower, Hold infinity in the palm of your hand, And eternity in an hour. A robin redbreast in a cage Puts all heaven in a rage. A dove-house fill'd with doves and pigeons Shudders hell thro' all its regions. A dog starv'd at his master's gate Predicts the ruin of the state. A horse misused upon the road Calls to heaven for human blood. Each outcry of the hunted hare A fibre from the brain does tear. A skylark wounded in the wing, A cherubim does cease to sing. The game-cock clipt and arm'd for fight Does the rising sun affright. Every wolf's and lion's howl Raises from hell a human soul. The wild deer, wand'ring here and there, Keeps the human soul from care. The lamb misus'd breeds public strife, And yet forgives the butcher's knife. The bat that flits at close of eve Has left the brain that won't believe. The owl that calls upon the night Speaks the unbeliever's fright. He who shall hurt the little wren Shall never be belov'd by men. He who the ox to wrath has mov'd Shall never be by woman lov'd. The wanton boy that kills the fly Shall feel the spider's enmity. He who torments the chafer's sprite Weaves a bower in endless night. The caterpillar on the leaf Repeats to thee thy mother's grief. Kill not the moth nor butterfly, For the last judgement draweth nigh. He who shall train the horse to war Shall never pass the polar bar. The beggar's dog and widow's cat, Feed them and thou wilt grow fat. The gnat that sings his summer's song Poison gets from slander's tongue. The poison of the snake and newt Is the sweat of envy's foot. The poison of the honey bee Is the artist's jealousy. The prince's robes and beggar's rags Are toadstools on the miser's bags. A truth that's told with bad intent Beats all the lies you can invent. It is right it should be so; Man was made for joy and woe; And when this we rightly know, Thro' the world we safely go. Joy and woe are woven fine, A clothing for the soul divine. Under every grief and pine Runs a joy with silken twine. The babe is more than swaddling bands; Every farmer understands. Every tear from every eye Becomes a babe in eternity; This is caught by females bright, And return'd to its own delight. The bleat, the bark, bellow, and roar, Are waves that beat on heaven's shore. The babe that weeps the rod beneath Writes revenge in realms of death. The beggar's rags, fluttering in air, Does to rags the heavens tear. The soldier, arm'd with sword and gun, Palsied strikes the summer's sun. The poor man's farthing is worth more Than all the gold on Afric's shore. One mite wrung from the lab'rer's hands Shall buy and sell the miser's lands; Or, if protected from on high, Does that whole nation sell and buy. He who mocks the infant's faith Shall be mock'd in age and death. He who shall teach the child to doubt The rotting grave shall ne'er get out. He who respects the infant's faith Triumphs over hell and death. The child's toys and the old man's reasons Are the fruits of the two seasons. The questioner, who sits so sly, Shall never know how to reply. He who replies to words of doubt Doth put the light of knowledge out. The strongest poison ever known Came from Caesar's laurel crown. Nought can deform the human race Like to the armour's iron brace. When gold and gems adorn the plow, To peaceful arts shall envy bow. A riddle, or the cricket's cry, Is to doubt a fit reply. The emmet's inch and eagle's mile Make lame philosophy to smile. He who doubts from what he sees Will ne'er believe, do what you please. If the sun and moon should doubt, They'd immediately go out. To be in a passion you good may do, But no good if a passion is in you. The whore and gambler, by the state Licensed, build that nation's fate. The harlot's cry from street to street Shall weave old England's winding-sheet. The winner's shout, the loser's curse, Dance before dead England's hearse.
Every night and every morn Some to misery are born, Every morn and every night Some are born to sweet delight. Some are born to sweet delight, Some are born to endless night. We are led to believe a lie When we see not thro' the eye, Which was born in a night to perish in a night, When the soul slept in beams of light. God appears, and God is light, To those poor souls who dwell in night; But does a human form display To those who dwell in realms of day.
- Bom dia, senhor Acácia!
- Muito bom dia, senhora Acácia!
- Pronta para mais um dia de trabalho?
- Sempre! Vamos render agora o turno. O Sol já quer nascer...
- É. Férias é só para quem pode.
Os senhores e as senhoras Acácia estavam sempre muito ocupados com os seus afazeres. Trabalhar com a terra era tarefa árdua, ainda mais quando esta pouco colaborava com nutrientes ou os céus faltavam com a chuva. Faziam o melhor que podiam, a cada dia que nascia. Afinal, tinham herdado de seus pais, não só o ofício, como a capacidade e amor àquela arte.
- Insectos de porte maior, devem ser deixados cair dos aeroportos e a sua estadia proibida. Outros animais devem ser expulsos caso não tenham contrato firmado com alguma das fábricas da cidade e se se recusarem a ir, mão-de-obra especializada na defesa – apenas trabalhadores temporários com autorização de residência – devem ser chamados a actuar.
As formigas e outros insectos, bastante profissionais por sinal, recebiam à comissão e quando este método não funcionava o ataque químico revelara-se bastante eficaz; que o dissessem as girafas que ignoraram os avisos dos espinhos... A enérgica acção de defesa das Acácias que se seguira fora radical. O serviço de mensageiros, entre entidades arborícolas, actuara na perfeição e dera aos generais a maior vitória das suas vidas. Não estivessem agora a desempenhar outras funções, ainda hoje estariam a festejar essa glória – a queda dura do inimigo.
Ainda que com tanto trabalho, a vida conseguia ser bastante agradável. Não era nada como a daquelas árvores nas cidades em que os ramos serviam para vandalizar, eixo de baloiços e marco de namorados. O cúmulo dos cúmulos acontecia quando as folhas caídas lhes eram retiradas dos solos, em vez de retornarem pela decomposição, à árvore-mãe... As notícias que por vezes ouviam, contadas pelos ventos, eram tenebrosas... Segundo o que se contava, árvores havia que, por dizerem não servirem para nada, eram sacrificadas sem qualquer sinal de apreço por serviços prestados. Por isto mesmo, todas as árvores vizinhas e não só, tentavam o mais que podiam, fazer horas extraordinárias. Era uma vida de sacrifício. As únicas alturas em que se permitiam um pouco de prazer, era durante os festivais de Primavera e Outono. Nessas alturas era vê-las, todas aperaltadas, vaidosas. Cada qual a mais bonita. Gabavam-se de ter fotógrafos e artistas a admirá-las e faziam-se ainda mais bonitas, como se possível fosse.
Mas tão-pouco se perdiam nesses apreços passageiros perante o muito tinham que fazer. As reparações constantes tanto da cidade interior como exterior e as mudanças de escritório pois estes ficavam disfuncionais se não actualizados, preenchia o tempo disponível que poderiam ter para desfrutar até dos seus novos produtos que se esforçavam por criar. “Suco de clorofila” era a novidade do Verão e as campanhas publicitárias começavam agora a arrancar.
“Quer sentir-se fresco e bem este Verão?
Beba “Suco de Clorofila”. A sua regeneração!”
É uma história fantástica!
"We live in a World of wonders!"
"We are made of stars"!
: D
Acordar
Abrir os olhos e pela primeira vez ver.
Tomar o primeiro fôlego. Sorrir.
Começar virgem o dia.
Conciliar a noite.
Saborear.
Ser.
.
Agora que o dia dos "namorados" se aproxima, que tal distribuir amor por toda a gente?
Pega em post-its, escreve frases cheias de amor e coloca-as no supermercado onde costumas fazer as tuas compras, pelos postes das ruas, pela tua casa, pelo teu trabalho, consultório médico...
Vai saber pela vida, à pessoa que receber a tua mensagem, sem estar à espera.
: D
- Bom dia.
- Bom dia. Em que lhe posso ser útil?
- Poderia vossa excelência chamar o artesão Chaves?
- Lamento muito, mas ele não se encontra aqui, de momento. Posso ajudá-lo?
- Precisava muito falar com ele. Quando volta?
- Ele deixou-me encarregue da loja, sou o primo. Ele não disse quando voltaria. Pode adiantar o assunto? Quem sabe posso ajudar.
- É por causa de um cálice...
- Hum... – O homem à frente da loja mostrou-se pensativo. – Mas... aconteceu algo? Partiu?...
- Não sei. Funcionava bem até hoje bem cedo.
- Como?
Satisfeito com o rumo que a sua vida tomava, Braguinha travava amizade com os políticos mais influentes de Portugal, seu país. Sonhava já com o posto mais alto na política. Quiçá chegaria a ser conselheiro do rei, quiçá, com este rei deposto...
Depressa se habituara aos olhares concentrados em si, à atenção desmedida pelos colegas de tribuna. Em apenas três dias evoluíra tanto que as mudanças pareciam ter meses, mesmo anos. – Bendito cálice – repetia para com os botões ao levantar-se pela manhã, saboreando o doce destino que profetizava.
Neste dia saiu à rua e foi atacado pelo cheiro agreste do lixo, águas paradas e dejectos humanos. Ao passar pelo mercado, foi abruptamente saudado pelo conteúdo do balde da peixeira, que atirava águas de limpar a mercadoria no bueiro mais próximo, que se encontrava exactamente a seguir ao espaço corporal do político. Chegado ao parlamento, o porteiro pediu-lhe as credenciais, deixara de o reconhecer. Os colegas nem o viram. – Que estranho! Toda a cidade fede como antes. Ninguém me trata bem... – Resolveu voltar atrás. Mal o fez, recebeu o brinde do dia (até ali...) – a rapariga com quem andava engraçado, embrulhava-se nos braços de um qualquer homem, na rua e nem ele o conhecia!
- Vou tirar isto a limpo! – Foi a correr para casa. Voltou a beber do cálice. Era o mesmo copo de onde tinha bebido todos os aqueles dias. Mas já não funcionava. Porquê? O copista havia de ter uma resposta. Ou fora roubado durante a noite ou muito bem enganado. Mas como? A rapariga? Não! Ela era demasiado ignorante para perceber o que fosse. Nem teria coragem para lhe aparecer à frente fosse esse o caso... Não, isto era obra do artesão. Só podia ser...
- Talvez se formos para dentro, possamos falar à vontade... – Falou o primo do mestre vidreiro. – Faça o favor de me seguir.
- Certamente senhor...? Enquanto caminhavam, Braguinha tropeçou num caco de vidro.
- Não ligue. Por vezes acontecem acidentes por aqui. Sabe como são os vidros... Cepo.
- Desculpe?
- Ah... Não compreendeu... Vossa senhoria pode tratar-me por Cepo.
- Curioso nome! – Admirou-se Braguinha. – Afinal onde anda o seu primo?
Cara de Cepo ordenou o mais velho dos ajudantes fechar a loja e subir, juntamente com os restantes miúdos e aguardar novas instruções. Acostumados a obedecer ordens, assim fizeram. – Agora podemos falar à vontade.
- Muito agradecido! Queira compreender sua senhoria que este assunto é verdadeiramente delicado.
- Deveras. – Cara de Cepo certificou-se de que não seriam ouvidos ou interrompidos. – Tem aí o seu cálice?
- Sim. Será que estragou?
- Não acredito. Tem mais alguma cópia?
- Não. Mas há mais cópias?
- Veja sua excelência que o meu primo...
- Não! – O político já adivinhava o que iria ouvir.
- Pois é verdade. Ele fez várias cópias do cálice e quis enganar toda a gente.
- Não!
- Sim! – Cepo aguentava-se. Queria rir. Sentia-se superior. Havia encontrado o verdadeiro cálice, livrou-se do artesão e estava prestes a acabar com o último testemunho dos poderes da taça. Fazia um trabalhinho limpo – tudo para dentro da fornalha, junto com o vidro derretido... – ficava com o negócio dos vidros, os miúdos trabalhariam para ele de graça e ficava sem problemas para a velhice que não tardava em chegar. Que mais poderia querer?
Pegou na cópia do cálice do político e desfê-la contra a parede.
Chocado, Braguinha ficou sem reacção. Apenas seguiu os passos do homem que estava à sua frente. – Então não há hipóteses de reaver o verdadeiro cálice?
- Nenhumas. O meu primo assegurou-se. Como pode ver, tenho aqui mais algumas cópias – mostrou-as – e não têm qualquer valor. – Cepo pegou nelas e também as desfez.
Braguinha ficou desanimado. Tantos planos para nada. Tantas ilusões...
- Mas diga-me. O que fez o cálice por si?
O Político contou-lhe os passados dias. Mostrando-se muito interessado, Cara de Cepo ouviu tudo. Braguinha desabafou e mostrou-se tão desiludido que Cepo achou não ser necessário limpar-lhe os passos.
- Pois, é como vê. O meu primo fugiu para parte incerta com o cálice verdadeiro. Deixou-me aqui com o negócio às costas. Nem sei como vou aguentar isto, sem ele.
- Desejo-lhe sorte meu senhor. – O político não era muito esperto. Os químicos da taça verdadeira que o mestre havia colocado na cópia haviam-lhe transformado a vida. Aderidos com cola de coelho, os componentes generosamente cedidos pelo cálice, foram o bastante para que, juntamente com o poder de sugestão, Braguinha conseguisse temporariamente alcançar os seus desejos. Agora, e sem perspectiva de reaver o querido tesouro que reteve tão pouco tempo, condenou-se a aceitar o novo destino. Cabisbaixo, despediu-se.
Cara de Cepo, mal o homem desaparecera da loja, permitiu-se rir a todo o volume. Encheu a caixa torácica e explodiu-a com prazer. Essa noite iria celebrar com o seu antigo amigo – o Cálice! A sós. Não precisava de mais ninguém. Podia o mundo desistir de durar que lhe bastava o fiel amigo, que agora segurava entre mãos.
- Você! – Ante a surpresa daquela voz, o pirata deu meia volta. – Você tem o Cálice!
Cepo riu ainda mais que os músculos da cara quase se contorceram com o acto. Uma ruga aparecera, rodeando os lábios, fora tudo.
Braguinha, furioso, procurou a arma que estava algures num dos bolsos do casaco comprido que usava.
Cepo, que nunca descuidava da sua Impaciente, chegou-lhe primeiro acariciando o pescoço do político com ela. Bem tinha razão em tratá-la intimamente assim. Sempre que se aproximava do cálice, ficava mais desperto. Notava-o conscientemente. A ligação entre os dois era endémica.
- Você é mesmo primo do artesão? – Perguntou Braguinha desconfiado.
- Oh homem! Com esta espada?
- Foi você quem matou o Gagueiro!
- Ah, ah, ah, ah! Tarde demais para ficar inteligente, não acha? – E com esta última frase, Cepo brindou o adversário com o golpe da paz eterna, para depois reparar. – Bafo de cão! Vou ter de limpar tudo outra vez! – O sangue escorria. Depressa arrastou o corpo para a fornalha. Esperou um pouco antes de chamar os rapazes. Entretanto limpou as marcas líquidas do falecido visitante e disse para se controlar. – Não podes matar todos os clientes que entrarem. Foi o primeiro e o último está bem? Já terminaste com o artesão, agora um cliente. Assim vamos à falência! – Cepo recuperava o riso temporariamente parado. – Quando isto não der mais, acho que podias dedicar-te ao espectáculo!
Havia piratas que aguentavam ouvir as suas histórias continuamente, rir e bater palmas de e a si mesmos. Cara de Cepo era um deles.
Cheio de pompa e circunstância, batia à porta o emissário do rei. – Venho buscar a encomenda para a sua majestade.
O aprendiz mais velho atendeu.
- Onde está o teu mestre? – Ordenou o emissário.
- O mestre não se encontra aqui faz dois dias, mas o primo esteve a trabalhar no cálice toda a noite. Eu não queria incomodá-lo. Deve estar muito cansado. Já o tentei chamar, mas nem se mexe. Até parece morto... Queira perdoa-me, senhor. Eu trago-lhe o cálice.
O rapaz pegou no cálice. Tinha a certeza de que era o certo. Depois de tantas provas que o mestre havia feito, parecera-lhe aquela a melhor das peças. Bom, a única, já que todas as outras haviam sido destruídas. O rapaz tinha orgulho de trabalhar com um mestre tão criterioso e perfeccionista como o que ele tinha. Achou o primo dele meio estranho. Não tinha bem a certeza de ele saber o que fazia, mas ordens eram ordens, e se o mestre tinha dito ao primo para ficar com a loja, quem era ele para duvidar?
O cálice, que aterrorizara as peças todas na loja desde que regressara, estava finalmente feliz. Conseguira vingar-se de todos quantos lhe puseram mão. Estava a caminho do seu destino primordial. Foram precisos anos - não importava. Foram precisos os químicos das suas paredes - tão-pouco importava. Estava a apenas um passo de libertar o que a bolha continha e nem ele próprio sabia. Serviria unicamente uma vez, mas estava orgulhoso. Serviria o rei. A alma que o artesão lhe emprestara para o criar, finalmente seria liberta e juntar-se-ía à que, incompleta, agora a buscava desde que o mestre aspirara pela última vez. Nunca saberia que nele residia a frustração do seu criador de quando se sentia incapaz de perfeição. Por isso era a bolha grosseira, porque o que a preenchia também o era.
Estranhara o artesão que desde aquele cálice, vergonha das suas vergonhas, nunca mais realizara um trabalho com incorrecção. No entanto, era precisamente aquela peça que o perseguia e que por ela viria a morrer.
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