Gaia (Adoa Coelho)

Gaia é a personificação do antigo poder matriarcal das antigas culturas Indo-Européias. É a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte. É a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo. Nos mitos gregos, os conflitos entre Gaia e as divindades masculinas representam a ascensão do poder patriarcal e da sociedade grega sobre os povos pré-existentes.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lançamento do Livro

Apresentação do "Ups! Engoli uma Estrela" de Adoa Coelho, dia 18.09.2011 em Moimenta da Beira, a cargo da actriz Maria Henrique.


A arte copia a vida excepto, quando a vida segue os passos experimentados no campo da arte.
Digo experimentados porque grande parte das vezes são mesmo ideias que um ou uma autora tem e é através da arte que verifica a execução da ideia. 

Por exemplo, quando me lembro do filme com o Jim Carrey - “Truman Show”. O filme é um Big Brother focado numa só pessoa, como o que se faz com as pessoas mais ou menos famosas nos programas cor-de-rosa. A ideia veio de trás, de um livro, o “Mil Novecentos e Oitenta e Quatro” de  George Orwell que descreve essa sociedade. Publicado pouco depois da segunda guerra mundial, acredito que a musa tenha sido a vida. Os dois opostos eram vividos na Europa de então, o comunismo e o nazismo, ambos com resultados desastrosos e com técnicas que nem sendo retratadas na ficção convencem de que sociedades sob vigilância não são propriamente saudáveis. Mas eis que as voltas voltam a rodar... Décadas mais tarde começa um programa que se tornará um sucesso a nível mundial – “O Big Brother”! Não é surpresa, pois não?

Depois fizeram variações com famosos em quintas e sei lá mais onde. Variações sem variedade. Excepto... que nas cidades, e por questões de segurança, porque isto é tudo a pensar no bem geral... As câmaras de vigilância estão por aí. Mas nós gostamos e até já estamos habituados.

Poderemos pensar que é mesmo tudo para o nosso bem como quase nos faz pensar assim Isaak Asimov no “Eu, robot” (não, pouco tem a ver com o filme que fizeram...), em que as máquinas acabam por tomar destas crianças malcriadas que somos os humanos. Ou o “Minority Report” do Philip K. Dick, onde finalmente o crime é combatido até antes de cometido.

Para onde nos levará a vida, não sabemos. São tempos conturbados estes que agora vivemos. Não sei se a Humanidade deveria mudar os programas escolares e mudar “história” para “Ficção”, científica ou nem por isso. Como a história está sempre a repetir-se, não valerá a pena estudá-la, mais vale preparar-nos para o que virá.

Na faculdade, quando estudei estética, o professor falou num personagem, um artista frustrado. E como falhou nas artes, tentou fazer o Mundo segundo o sonho que tinha. Imaginou um Mundo com pessoas perfeitas, todas loiras e com olhos azuis. Usou a ciência como instrumento. Hitler usou também os meios artísticos disponíveis na época para servir a propaganda política. Leni Riefenstahl fez as obras de artes “O Triunfo da Vontade” (1934) e “Olympia” (1936) ao seu serviço. Podemos, portanto, ter uma ideia bastante claro de como o Mundo de hoje seria se os planos desse homem tivessem vingado. Seria uma espécie de “Admirável Mundo Novo”. Não sei se com o mesmo nível de evolução científica como na obra do Aldous Huxley, creio que com bastantes semelhanças.

Talvez o caso mais fácil de perceber seja o de L. Ron Hubbard, por ser mais directo, por que passou de escritor de ficção científica a criador da Cientologia. No fundo, quando se escreve, pinta, faz um filme, etc, é para contar uma história e ninguém conta história se não pensa que está a mudar algo no seu receptor – um ponto de vista social, político, psicológico,... Humano.
Teorias serão apenas teorias. 

O Mundo é tão fascinante que por vezes nem se compreende bem o que influencia o quê. Agora e para nos enquadrarmos na conjunção portuguesa, a que no fundo nos diz respeito, temos as agências de Rating. Uma espécie de Big Brother a nível mundial, se quisermos usar uma pitada de humor. Já se fala em privatizar a RTP, a TAP, a água... Pouco faltará para as medidas chegarem ao ar como neste sketch da Maria Ruef! Ou estarei enganada?

Resta-nos abrir os olhos. Os fãs de crimes terão outra leitura deste Mundo. Os fãs do portal das finanças têm outra certamente.
Unicamente posso afirmar que a realidade será sempre o que é, independentemente de gostarmos dela ou não, Adoa a quem doer...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A Mosca da Escritora

O ano passado encontrei no chão, perdida, abandonada à sua sorte, a espada de Peter Pan. Uma criança a terá perdido. Resgatei-a.

Mal sabia que a viria usar nesta tarefa de voltar à tranquilidade da escrita.

Há sempre uma mosca que teima em fazer-me companhia...

Mas não foi sozinha que enfrentei esta aventura.  A Wendy, ao aperceber-se da situação, veio ajudar.



Se existe a mosca da televisão, por que não a do escritor?

The pen is mightier than the sword?
Well, sometimes!

:o)

sábado, 6 de agosto de 2011

"Keep Calm and Write Your Damn Book"

Porque às vezes preciso de saber isto.
Porque às vezes a insegurança, ao contrário de nos ajudar a dar o nosso melhor, nos impede de fazer até o mínimo.


A ler: "Keep Calm and Write Your Damn Book"

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Fantastic Planet


Um filme de animação de 1973.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Escrever - Dicas

Quando comecei a escrever o "Ups! Engoli uma estrela" não sabia do que iria escrever. Tinha uma ideia, sim, e era tudo. Da ideia nasceu uma história e... Tudo começou com essa história.
A fome de saber mais sobre o personagem principal foi o mote. E quando temos fome, esta só passa mesmo quando a saciamos. Mas só tinha um herói. As histórias precisam de anti-heróis para se desenvolverem. Tinha três capítulos na mão e estava parada, agarrada às ideias soltas que continuavam a surgir para a história.

Devo dizer que me custou bastante pensar neste personagem. Não queria fazer nada de já conhecido. Procurei em mim. Procurei nas histórias que nesse ano havia escrito e achei. Parecia magia! O meu anti-herói já estava construído e tinha nascido exactamente da mesma maneira que o herói. Só podia estar tudo certo.
Daí para a frente a história ia-se revelando perante os capítulos que saíam. Demorei três meses a escrever o primeiro dos livros. Nesta altura pensei que estava a enlouquecer porque só pensava na história. Tornara-se o meu mundo e parei.
Parei porque eu, autora, estava a ser sugada e precisava ter uma certa perspectiva.

Dei a ler a um amigo que prometeu fazer uma crítica. Esta foi a melhor ajuda que poderia ter tido. Havia um problema com os personagens. Primeiro recusei, mas fiz pesquisa, li livros dentro do mesmo género, estudei sobre construção de personagens e decidi-me - construí a biografia dos personagens. Depois de ter dado o primeiro "não" a uma editora, foi a altura de receber o primeiro "não" de uma editora!

Ainda havia aspectos a melhorar. Reli, reli e reli o primeiro livro. 

- qual a motivação de cada personagem
- quais os medos
- qual a história pessoal
- profissão
- de onde vêm
- para onde vão
- feições
- descrição física
- defeitos
- qualidades
- signos
- ...
O mundo já estava construído, as regras/leis destes mundos também foram clarificadas neste processo. Cheguei a fazer desenhos dos personagens - ajudou imenso.


Enquanto procurava pela editora certa, entre vários "não" e sim", pensava no segundo livro, pesquisava, lia, reescrevia/melhorava o primeiro. Foi já no processo de escrita deste segundo livro que compreendi a sério os personagens. Eles ditam-me claramente o que querem. Têm vida própria. Tudo isto faz parte integrante da narrativa. Tudo isto ajudou a construir a história. 

Agora, que o primeiro dos livros saiu e escrevo o terceiro e último livro, o processo tornou-se mais simples dentro da sua complexidade. A insegurança continua, mas também é o que me leva a pesquisar e dar o meu melhor. Questiono tudo mas acabo por seguir o que é certo para a história. É ela que conta, não eu.

Hoje deparei-me com este site que fala do processo de escrita da J. K. Rowling. "Are You The Next JK Rowling?" - perguntam. Ela é deveras uma mulher inteligente e percebe-se, pela maneira como as histórias estão contadas, que sabe contar uma boa história como ninguém.

Tudo isto para dizer que se planearmos toda a história teremos o processo de escrita facilitado.

Planear (biografias dos personagens, criação do mundo, estrutura da história)
Escrever (dar um título ajuda a clarificar o que pretendemos desse capítulo específico)
Reescrever (Ver em que pontos a história pode ser melhorada. Há falhas na estrutura? Ser cruel e cortar o que não interessa. Nós sobrevivemos com isso, a história, não.)
Editar (Esta parte deveria ser feita por alguém experiente. Editores - são pessoas que conhecem  como os livros funcionam no mercado.)

Ouvir o que as editoras têm a dizer é muito importante. No meu caso, o título original estava errado. Completamente errado! A editora aconselhou a mudá-lo. Foi uma verdadeira luta, até que pensei em como poderia descrever os livros em apenas uma frase... (Se não repararam, isto é uma dica.)