Gaia é a personificação do antigo poder matriarcal das antigas culturas Indo-Européias. É a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte. É a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo. Nos mitos gregos, os conflitos entre Gaia e as divindades masculinas representam a ascensão do poder patriarcal e da sociedade grega sobre os povos pré-existentes.
Este filme de animação fez-me lembrar o Aniquibóbó e a cena em que os miúdos lutam por causa da rapariga... Foi tudo forjado para que eles andassem mesmo à luta e a cena ficasse o mais verídica possível. Eles, os miúdos actores, gostavam ambos dela! :o)
Hoje de madrugada estive a experimentar vários programas de animação e dei-me muito bem com este.
Está aqui o resultado do meu primeiro filme de animação!
A não é a preto e branco ou feita apenas de momentos "gloriosos". Os momentos mais saborosos são precisamente aqueles que, de ser tão "pequenos", nos marcam. É a intensidade e o valor simbólico que conta.
Quando era criança, vivia rodeada de pessoas idosas. Gostava especialmente da Esterinha. Ela pedia-me para lhe retirar os cabelos brancos. Dizia que me daria uns centavos por cada um. Nunca percebi qual o problema com os cabelos brancos, adoro os meus. Nunca cheguei a ver a colecção prometida que tinha ganho em tão nobre trabalho! Nunca me fixei nisso. Lembro-me de ir para casa dela. Bebíamos café fraco com torradas com manteiga. Molhávamos no café! Sabia bem! Nunca mais bebi café sem ficar doente e naquela altura bebia-o sem problemas. Ela contava-nos histórias que não me lembro, só de duas. Mas ficava muito concentrada em tudo o que ela dizia.
Lembro-me quando ela me repreendeu por tirar as lapas do nariz e metê-las na boca! E de contar, com ar muito sério, quando lhe mostrei uma abelha morta que encontrei no nosso quintal, que não se devia matar as abelhas porque também elas eram criaturas de Deus! Lembro-me de ter ficado triste por ela ter pensado que tinha sido eu a matá-la.
Lembro-me de outras histórias. Lembro-me que ela sofria nas mãos de um homem que vivia com ela. Nunca percebi o porquê.
Lembro-me que ela tinha duas bonecas de porcelana que nos deixava pegar de vez em quando. Eram mágicas. As bonecas mais lindas que alguma vez tinha visto! Estavam-nos prometidas - a mim e à minha irmã. Tão-pouco alguma vez as reclamei. Nunca fui de reclamar nada.
Quando ela estava para morrer, fui chamada a visitá-la e não sabia o que dizer. Lembro-me de ter a cabeça cabisbaixa. Estava triste. Foi a primeira vez que vi a morte como uma separação sem solução e chorei.
A minha Esterinha!
Quando era criança, brincava e ria como todas as crianças, acho. Mas sempre digo que nasci velha. Não sei se por ter crescido rodeada de pessoas idosas ou se por natureza da minha alma já de si bastante introspectiva. Mas foi assim que nasci.
Lembro-me de quando estava na preparatória e tínhamos um livro que deveríamos ler em casa para depois trabalhar nas aulas. Chamava-se "Os meus Amores" e é de Trindade Coelho.
A capa é branca, apenas com o básico e uma cornocópia azul.
Ainda antes desta experiência, quando ainda não sabia ler, eu lia bastante. Lia as imagens dos livros do Tio Patinhas e do Pato Donald que as minhas tias devoravam. Eu devorava-os também!
Custou-me imenso ler "Os meus Amores" porque achei que não estava adequado para mim, para os meus colegas, para a nossa imaginação de crianças. Mas tinha colegas que gostaram de o ler. Eu não.
Já nessa idade notei que era um livro onde nada acontecia e eu queria que houvesse mais acção, era demasiado descritivo. Foi um livro que marcou a meu finca pé com a literatura portuguesa. Recusava-me a ler os livros oficiais para as aulas de português. Mas não todos!
Adorei Camões! Amei Fernando Pessoa! Diverti-me imenso com Gil Vicente!
Era assim que a literatura deveria ser!
Compensava com idas à biblioteca e a secção de ficção-científica. A minha adorada Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia. Sempre que tínhamos um furo, zás! Biblioteca!
Com 13 anos descobri Dune de Frank Herbert. Todos os anos vejo o filme pelo menos uma vez e já li várias versões dos livros. Ainda hei-de ler a versão original. Foi uma marco na minha vida.
Outro marco, foi quando a professora de filosofia me indicou Virgílio Ferreira - Aparição.
Hoje leio autores portugueses com todo o prazer. Portugal tem autores fantásticos!!!
Lembro-me da capa do livro do Trindade Coelho porque mantenho a cópia desde então. De vez em quando leio e delicio-me como só agora posso fazê-lo.