Gaia (Adoa Coelho)

Gaia é a personificação do antigo poder matriarcal das antigas culturas Indo-Européias. É a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte. É a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo. Nos mitos gregos, os conflitos entre Gaia e as divindades masculinas representam a ascensão do poder patriarcal e da sociedade grega sobre os povos pré-existentes.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Morrer

Das roupas, dos carros, das casas, dos corpos, da cor da pele, da sexualidade, do género, da cultura, da religião, ...
nada se leva para além da tumba.

Podemos, no entanto, levar uma de duas

AMOR ou ÓDIO

E a escolha é nossa.



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Opiniões e cabelos


A identidade do cabelo
está em quem o usa
e
manifesta-se
na sociedade
que
concorda
ou não.

Porque a sociedade gosta
de oferecer
a sua
opinião.

Esta é a minha...

(Sem imagem. Blah!)

Visto o cobertor da noite e ponho o chapéu da memória para escrever este texto.

Comer uma sardinha aqui (Alemanha) é comer peixe sem alma. Uma fartura daqui é massa gordurosa disforme. Faltam-lhes o tempero da memória, da recordação perdida nos anos em que caminhei em direcção ao Porto, ou pelo menos até à ponte para arranjar um lugar para ver o fogo de artifício. E o som dos martelos de plástico, especialmente sonoros nas cabeças dos polícias fardados em noite de turno misturado com gargalhadas cúmplices ecoa de novo. E as Fontainhas? É lá que moram as farturas saborosas, a cerveja fresca que a acompanha, o cheiro das sardinhas que faz escorrer água da boca... É lá que vive a memória e o sabor, os meus sorrisos e sonhos de infância ao ver tanta gente na rua, alegre e divertida. E os risos de amigos, família, uma ou outra pessoa que mais tarde me desfez o coração.
Até a recordação de aulas de desenho em grupo me assomem.

As memórias podem ter um peso marcante. Um marca-passos. Leva-nos o coração sem pudor. Rouba-nos o momento presente, retira o sabor de tudo para o encher de saudade. Quem deseja viver uma meia vida assim?

Perco o coração para o passado, assomam-se culpas e arrependimentos, cimenta-se a vontade de voltar a comer da infância e juventude.

O Peter Pan tinha um jogo preferido de faz-de-conta em que imaginava comer tudo o que desejava. Crescemos e não há Pan que resista. Não chega imaginar, quero o prazer dos dedos sujos, o nariz cheio, os olhos arregalados e o coração de volta ao peito.

Não me esqueci do doce Teixeirinha que aquece a tripa e depois a liberta. Ou quão defraudada me senti a última vez que a comi.


Ó meu rico S. João!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

As Minhas Histórias


Às vezes gostaria de apenas esquecer-me de quem sou. É um grande passo para cada pessoa - esquecer todas as histórias que nos construíram até agora e viver cada minuto como o primeiro. Claro que teria os inconvenientes da lógica. Esquecer de como se lê ou escreve, por exemplo, ou esquecer os nossos pais. Mas não é disso que se trata, não é de Alzeimer que falo. É mesmo de deixar as histórias que nos massacram de lado. Retirar a sabedoria delas, aprender, construir os tais degraus com elas e seguir em frente. É disto que falo. Para conseguir isto é preciso muito trabalho, é preciso olhar-nos nos olhos e ver a nossa alma despida sem matizes para disfarçar. É ter a coragem de sangrar, de estarmos nus perante nós mesmos para nos darmos um bom banho de realidade. Não adianta esconder quem somos por que há uma parte de nós que a conhece. É acedendo a ela que nos tornamos quem somos. É acedendo a ela que deixamos a nossa luz brilhar sem vergonha, sem medo de transpirar luz, sem medo de sermos grandes e lindos e maravilhosos. É disto que falo. A nossa nudez provém das histórias despidas.

Comecei este processo há três anos e nunca mais o poderei deixar. Para dizer a verdade última, comecei este processo desde que nasci. Não será por acaso que me lembro de coisas que aconteceram quando ainda tinha dois e quatro anos. São muitas histórias acumuladas, muitas malas de memórias que parecem não ter fim ou solução. Peguem num puzzle de 10 mil milhões de peças e levem-no às costas. Cada peça é uma história na nossa vida desde que nascemos, mas estas são apenas aquelas das quais nos recordamos. Cada história pesa em cada situação que vivemos no presente, por isso andamos carregados com elas - porque pensamos que elas nos vão ajudar a perceber quem somos.

Para além de serem um peso morto, elas (na maioria das vezes) apenas nos atrasam a ver e a fazer o que desejamos - a nossa luz. Usámo-las como desculpas, como verdades últimas de quem somos, de como o Mundo nos tratou e vai tratando. Uma grande ilusão. As histórias mostram-nos sim quem somos, mas é preciso olhar para elas sem vergonha e ver tudo, mesmo aquilo que mais nos magoou sem óculos coloridos para nos desviar das lições e do ouro real que as histórias nos dão. Cada uma dessas histórias de dor realizam parte essencial de nós e só desaparece quando descobrimos o ouro que estava por detrás. É assim que nos livramos desse peso morto. Mas por vezes este peso nem é morto. Não o é na medida em que vivemos nesse passado e nos perdemos nele como se o vivêssemos agora. Quantas vezes não ficamos assustados e com o coração a bater desenfreadamente quando nos lembramos de parte delas? Quantas vezes não reavivamos as nossas raivas e medos?

Pois esta é uma das maneiras de vivermos o passado e de o usarmos para impedir uma boa-aventurança no chamado "futuro". Tomamos decisões pondo todo o peso no passado esquecendo que há mais respostas, mais caminhos do que aqueles que já percorremos e nos magoaram. Mas continuamos nesses caminhos porque são aqueles que conhecemos e temos medo de trilhar outros, ou até de desbravar novo terreno porque sempre nos ensinaram que devemos desconfiar de desconhecidos. Aplicamos esta regra a tudo, a caminhos também.

Em vez de crescer para nos tornarmos em quem nascemos para ser - seres plenos e adultos - continuamos a ser crianças assustadas e cheias de medo. Usamos os telejornais para nos mantermos neste filme diminuído e que também nos diminui. Quem liga o televisor? Quem escolhe esta formatação? Quem escolhe?
Fui sempre eu. Sou eu quem tem medo de ser diferente da "norma" e esqueço que norma só o é porque foi instituída pela maioria. Ao lado existe toda uma enorme gama de desvios, de outras realidades que por fugirem ao que uns chamam de "norma" têm de ser tratados. Nas escolas, as crianças têm medo de ser quem são para não serem vítimas de bullying, nos trabalhos temos de vestir e fazer o que nos mandam ou somos marginalizados e despedidos.

Crescemos para servir outros e esquecemos que a nossa grande vocação vem de nos servir a nós. Quando eu sei o que quero não posso nunca ser usada para servir os demais, só me poderei ter a mim como mestre. Sigo-me a mim e dou-me como exemplo para quem quiser. Sou exemplo apenas de mim própria, só respondo por mim. Pelos outros, cada qual que se responsabilize. Sejam responsáveis pelas vossas histórias, irão descobrir que são responsáveis pelas vossas vidas e pela vossa luz. Só serão infelizes se o desejarem, não há ninguém a quem colocar as culpas, não é culpa de ninguém. Foi assim a construção da nossa vida, do nosso lar. Não culpem ninguém e serão capazes de reaver a vossa vida como algo que só a vós corresponde a sua continuação. Escolham o vosso caminho, a vossa alegria, a vossa virtude. Façam este caminho por vocês, não peçam a ninguém para fazer as vossas escolhas. No fim, serão só vocês quem vai responder elas. A conta final será sempre apresentada a cada um de nós. Para quê mais desculpas? Desculpas para nos livrarmos de tomar o nosso poder de volta! E quem damos esse poder? A quem? Pois a quem tememos não nos deixe viver. Quem é que não nos deixou viver? Nós. Quem deu o poder para fazer isso? Nós. Somos sempre nós.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O medo



O medo é o que nos impede de avançar, de viver a nossa Luz. É uma armadilha que mora nos nossos pensamentos. O antídoto é o Amor.
Como usar o antídoto?
Simplesmente olhando os nossos medos de frente. É preciso muita coragem. Depois perdoamo-nos. Tratamo-nos com muito carinho. E, por fim, deixamos ir abençoando o que e quem nos magoou.




P. S. – O hábito torna o processo mais fácil. É que o “hábito” traz-nos a realidade da nossa sobrevivência aos medos.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Poder.


Falo muitas vezes no "nosso poder". O que é?
O nosso poder - É como se fôssemos todos super-heróis e delegássemos os nossos poderes a outras pessoas porque essas pessoas fariam melhor uso deles do que nós. Na realidade, temos tanto medo do nosso poder que simplesmente, o ignoramos, ou nem o conhecemos. Muitos de nós vivemos assim. Eu vivi assim durante quase toda a minha vida. E porquê? Medo. Ignorância. Fragilidade. Medo.
Temos medo que não nos amem. Temos medo que tenham medo de nós. Temos medo de ser rejeitados. Temos medo da nossa própria luz. Estamos muito mais seguros na nossa escuridão. Porquê? Simplesmente porque estamos habituados a essa escuridão. Vejamos bem, se estamos habituados à escuridão, é certo que a luz vamos assustar-nos com toda e qualquer luz que nos apareça à frente. É como uma barata. Habituada à escuridão, ela foge para se recolher e esconder de qualquer nesga de luz que exista. Mas não, não somos baratas, somos seres humanos e fomos feitos para andar cá fora durante a luz do dia. Dizem-nos que somos maus, não merecedores, estranhos, etc, e se nos falam o contrário, não conseguimos acreditar. É um pouco isso o que acontece.



Quando andava no liceu, tinha um colega que demonstrou claramente que a minha luz o incomodava. E que fiz eu? Simplesmente apaguei-me. É assim que fazemos para não incomodar ninguém. Podem perdoar-nos facilmente por assassinar alguém, mas não por sermos fantásticos, felizes ou simplesmente vivermos na nossa luz. Sempre foi assim com as pessoas que mais iluminaram este planeta. Não foi por isso que Jesus Cristo morreu? Não foi por isso que Gandhi foi assassinado? Que John Lennon foi assassinado? Foi por causa da luz deles. A luz pode incomodar muito quem anda no escuro. Porque será? Tanto medo causa!
E uma mulher que seja iluminada? Ui! Que medo faz! E não só a um homem.
As mulheres devem andar atrás de um homem, ou vários. E estar debaixo das suas ordens, etc. Preferencialmente, debaixo dos lençóis de um homem ou na sua cozinha. Que outro lugar existe para uma mulher? Mas cada pessoa é a sua visão e o uso que faz do que tem. Se uma mulher é inteligente, por que não usar a sua inteligência em vez de se deixar subjugar por um homem? Na realidade, nenhum homem é capaz de subjugar ninguém se essa pessoa não quiser. Mas... Por que haveria uma pessoa deixar-se subjugar por alguém? Porque não sabe que o pode fazer, porque não sabe o poder que tem, porque tem medo. É muito mais fácil para um homem, seja ele quem for, lidar com alguém que não tenha cultura porque a cultura dá valor às pessoas. A cultura torna-nos iguais. A cultura dá-nos... Retribui-nos o poder que é nosso por direito. Cabe-nos a nós reclamá-lo. Mas reclamá-lo a todos os níveis. Somos seres fantásticos cheios de capacidade para tudo o que desejarmos. Temos o poder de acreditar ou não no que nos dizem. E podemos tanto acreditar que somos uma merda ou que somos merecedores de toda a abundância do Mundo. Em qual vamos acreditar? Eu acredito no que me dá mais poder, até porque é uma questão de crença. Tudo o que nos dá força é de louvar. Já basta termos quem nos deite abaixo. Somos todos filhos e filhas d@ mesm@ deus@.
Se for para acreditarmos em alguma coisa e é bastante arbitrário o que nos dizem desde a infância, raios! Que eu acredite no que me dá poder. Eu sou Deus!



Quanto mais soubermos, mais longe estamos de sermos manipulados.

sábado, 9 de junho de 2012

Palavras

As minhas notas musicais são as palavras.
Os textos são as minhas músicas.
Cada qual trabalha com o que tem.



segunda-feira, 4 de junho de 2012

EU

Tudo o que EU digo hoje, posso não subscrever amanhã. EU não sou uma ciência exacta.


Come Back To Me - Jason Thielke

domingo, 3 de junho de 2012

Desistir


Queria desistir do Eu e Ser.
Sei que é esse o caminho, o único caminho.

Quando o EU está presente esqueço-me de quem Sou, e Sou muito mais do que esse EU pede para MIM.
O MIM também já é falso. Não existe. Está tudo embutido na ilusão do que vivemos. Se só podemos Ser depois da experiência de não-Ser... Só quando morrer é que serei verdadeiramente. Agora é tudo uma mentira, uma ilusão que parece muito real. É confuso viver neste mundo. É confuso viver no EGO.

Desisto de tentar. Desisto de querer. Desisto de ser.

Que mais há para dizer? Se escrevo para organizar o que penso, escrevo pouco! Ando tão confusa! Resisto a tudo, mas nem é de propósito que estou a trabalhar a resistência, certo? Resistir é uma ... é o quê?
O que significa resistir? É o que gostava de saber. Resistir é ser também. E que significa resistir?
Pode ser uma maneira de continuarmos a ser nós ou voltar as costas a "nós". Que nos diz o estômago? É geralmente ele quem nos dá as respostas. Se pesado, já se sabe... Foi coisa a mais. Sejamos leves nesta existência. Sejamos como a água que fura tudo. E que mais há? Podemos meditar e entrar no nosso ser mais profundo. De momento apetece-me vomitar-me. Libertar-me de quem penso ser, de quem quero ser e deixar ir. Deixar-me Ser. Estou cansada de tentar ser.
LIBERTA-TE! LIBERTA-TE! LIBERTA-TE! Só tu o podes fazer.

Se é tão fácil? Porque parece tão complicado? Como desligar o complicómetro de vez?

Como?

Não quero mais nada, nem comer. Não quero ser gorda. Não quero ser "normal". Não quero ser triste. Não quero ...

O que não sou?
Não sou "normal". Não sou fácil. Não sou de andar a viver uma vida simples ou comum. Não sou errada. Não sou

Não sei!!!

Só me apetece vomitar-me!

...

É assim que vejo quem cria. É assim que me vejo a criar. A vomitar-me! A ser vísceras e alma. As duas vão tão de mãos dadas! Como separar se são juntas? Quero vomitar-me!!! Preciso vomitar-me!




Mas EU SOU ÁGUA! 99%! A Porcaria do resto, do 1%, é que estraga tudo!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Adoa Coitadinha

No domingo a Adoa Coitadinha Cheia de Dores apareceu em palco. Mas não vou deixar agora a Adoa Queixosa aparecer aqui.

O interessante da situação é que as dores, e não só, pareciam dizer "olá" e voltar mais tarde, ou esquecerem-se.

Estava a reflectir nisto porque nada acontece sem razão. Enquanto EU precisar da Adoa Coitadinha, ela há-de sempre dar um ar da sua graça. Há sempre muito a ganhar  - a atenção dos outros, a complacência, as desculpas... Enquanto o ganho for maior que a perda não acontecerá reviravolta.

Mas a Adoa Coitadinha tem as suas virtudes - está sempre muito atenta ao corpo, é muito cuidadosa e amorosa. Nunca poderei simplesmente despedi-la. Ela faz-me falta.

O que poderei fazer é pegar nessas qualidades e utilizá-las de outra maneira onde, em vez de me retirar poder, o possa reforçar.

Em quê?

Em cuidar bem de mim.
Em trabalhar bem.
Em ser amorosa com todos os meus aspectos.
Em estar atenta e consciente....


terça-feira, 22 de maio de 2012

O coitadinho profissional



Vou falar como empreendedora nesta empresa que é a minha vida. E vou falar de um momento em que os dados giraram de uma maneira que nunca haviam girado antes. Será que a diferença está nos dados? Não! Eu é que mudei e por isso os dados mostram resultados diferentes.

Ok, vou ser mais clara e explicar.

Até agora, tenho quarenta anos, fui o que se pode chamar de "Vítima Profissional".
O que é isto?

Em qualquer situação da minha vida, em vez de olhar os problemas com coragem e mexer o meu traseiro para os resolver, baixava a cabeça e culpava-me de ser burra, incapaz, não merecedora, etc. Era sempre tudo minha culpa e o Universo conjugava-se para me castigar e repreender. Tudo estava errado e o maior erro de todos era EU. Vivia numa injustiça constante.

Que aconteceu entretanto e por que escrevo este texto?
Quando percebi que não era o Mundo que estava a fazer de mim vítima, mas EU quem se sentia vítima, isto deu uma outra perspectiva a tudo o que havia acontecido na minha vida. Todas as situações em que me havia sentido rebaixada, tinha a minha mão. Era EU quem se tinha sentido magoada independentemente de quererem ter-me magoado ou não.

Quando os pais decidiram colocar um monte de esterco no quarto dos filhos gémeos para o aniversário deles, aconteceu o seguinte:
O primeiro foi ao quarto, viu aquilo e ficou muito irritado e triste. Pensou imediatamente que os pais não o amavam. Por que outra razão fariam aquilo?
O segundo, ao entrar no quarto, ficou tão feliz que não parava de saltar. - Com tanta merda, só posso ter um cavalo como presente!!! - Gritou e foi à procura do cavalo lá fora.

É como a história do copo meio cheio ou meio vazio... O copo tem água a meio! Não está nem cheio nem vazio!!! Somos nós quem adjectiva o neutro. E a realidade é neutra. É o nosso ego que a classifica conforme as nossas vivências.

Se ferido, o ego vai classificar todas as experiências de "más". As experiências são o que são, nada mais. Quanto mais magoado estiver o nosso Ego, pior vamos viver essas experiências. Vamos chegar ao quarto, ver o esterco e ficar derrotados; vamos sempre encontrar o copo meio vazio.

Estou desempregada há quatro anos - É a realidade. Não tenho rendimentos de qualquer ordem - é a realidade.
Mas tenho tudo o que preciso. O Universo colocou-me na posição em que eu precisava estar para aprender, crescer, evoluir e assim escrever os meus livros. A realidade é tão generosa que me coloca à frente as pessoas necessárias para que tudo isso aconteça da maneira que tem de acontecer para eu ter a experiência da vida que mais me convém. O Universo sabe - já me conhece!! - que eu preciso de remoer tudo, de reflectir em tudo para avançar um pouquinho. Mas esse pouquinho pode ser um passo de gigante. Lá está, é o Ego a classificar o inclassificável!

A verdade é esta - é o facto de estar desempregada que me permite dedicar todo este tempo a melhorar-me e escrever.
Podia ter continuado a rebaixar-me e a dar o meu poder - aquele em que eu tomo a minha vida nas minhas mãos - e o dou a quem nem sequer conheço. É o que fazemos quando culpamos toda a gente menos a nós próprios do que nos acontece. Em vez disso, resolvi agradecer tudo o que a vida estava a oferecer-me. Durante este tempo, as histórias apareciam com muito mais frequência que o costume. Escrevi-as, deixei-me embalar por elas. Aprendi da situação e faço o melhor dela. Quando percebemos que somos co-autores de tudo o que nos acontece, é fantástico perceber a recuperação da nossa vida.





Quando Passos Coelho afirma que "Estar desempregado não pode ser um sinal negativo." e todos se sentem ofendidos... Só se sente ofendido quem quer. Pessoalmente, estar desempregada foi o melhor que me aconteceu. De que outra maneira poderia ter tanto tempo para escrever os meus livros e viajar para fazer apresentações? De que outra maneira poderia ter a experiência de acreditar que o Universo me fornece tudo o que preciso? De que outra maneira poderia ver tanta generosidade e criatividade à minha volta? As pessoas mais criativas são precisamente as desempregadas!





Quando vi este vídeo do TEDxCascais com o Edson Athayde há uns tempos, achei fantástico como esta pessoa acredita em si, na providência do Universo, tem tanto Amor para dar e, como tal, receber... O Edson Athayde despede-se de todos os empregos e parte para outros terrenos. Está sempre a desbravar novas ideias. Não pára.
Isto é acreditar em si e é viver como o Universo - a cada momento de braços abertos para a vida! Ele sabe que o Universo é impermanente, está sempre a mudar e antes de ser apanhado pelas mudanças, muda!
É preciso muita coragem para viver assim, é preciso estar muito na fonte, muito em Deus! Ou se calhar não! Se calhar será precisa muita mais coragem para viver na dor... Que dizes?

É isto que estou a aprender a fazer – abraçar cada momento da vida com tudo o que tem. Abandono a Adoa Coitadinha Profissional e abraço a Adoa Criativa e Cheia de LUZ. Aquela que ilumina o caminho de quem a rodeia e inspira. Ela sempre esteve aqui embora muitas vezes não lhe prestasse atenção. Tanto tempo "perdido"? Não! Tantas lições aprendidas! O Tempo "gasto" foi o necessário para mim.

A vida não é uma recta, mas está cheia de curvas e caminhos para explorar e tornar-se o mais rica possível. São os caminhos mais inesperados que nos levam a nós. Transformemos o medo na energia que nos ajuda a avançar com um pé, depois com outro e outro. É assim que fazemos o nosso caminho.

sábado, 14 de abril de 2012

O Fantástico Mundo em que vivemos!



Sim, vivemos num Mundo fantástico!
Quê? Ainda não tinhas percebido?

Pois é! Vivemos num Mundo Fantástico!

Esquece os noticiários, a vida deturpa-se quando passa nos televisores...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Th1rteen R3asons Why


Acabei de ler o livro "Th1rteen R3asons Why" do Jay Asher.
Comecei a ler o livro ontem e acabei de o ler hoje. Senti-me como se estivesse viciada, precisava de o ler até ao fim. Precisava de saber como iria acabar. Mas não acabou de nenhuma maneira espectacular. Acabou, simplesmente e não vou contar como!

Foi um livro que me impressionou por variadas razões. 13? Acho que nem tantas!
Comecei a lê-lo porque o tema me interessa - Bullying.

Uma jovem muda de cidade e escola, neste ambiente novo começa a sofrer com os rumores que inventam sobre ela. É uma escalada enorme sem fim à vista para ela e ela faz precisamente o que acha a melhor solução para ela - suicida-se. As pessoas que a ajudaram a tomar essa decisão vão receber um conjunto de cassetes numa caixa de sapatos. Com a caixa, recebem instruções para ouvir as cassetes até ao fim e depois passar à pessoa seguinte. Todo o livro é a reacção de uma dessas pessoas enquanto escuta os áudios.

É uma narrativa bem elaborada e fácil, sem ser mastigada. Embora o tema seja difícil de abordar, foi feito de uma maneira bastante inteligente e muito segura. Não há lugar a tédio, aqui.

Mas que achei realmente do que a história e como a história aborda o tema?




Bom, como ex-vítima de Bullying e autora de livros cujos temas rodeiam o mesmo, achei que o autor foi, no mínimo, corajoso. Mas se calhar os elogios ficam por aqui. Tanta mágoa e raiva. Será que o autor viveu...????.... sim, o autor viveu algumas coisas durante a sua juventude... é impossível não as ter vivido. Como poderia escrever sobre o assunto se não sabia/sabe o que se passa quando se sobrevive ao bullying?

Mas que critico eu afinal? Está bem escrito, não há dúvidas. Só que dei por mim voyeurista. Continuei os rumores só por estar a ler o livro. É como se fosse eu a andar pelo meio da cidade onde Hannah e os colegas viviam, a espiá-los... Como se me promiscuísse naquele lodo todo. Sim, porque é de lodo (para não usar uma palavra mais forte) do que o livro fala. Fez-me impressão porque perante todos os acontecimentos, só no fim ela consegue ver um bocadinho de quem ela também era. Porque ela, quer quisesse quer não, era conivente com tudo o que estava a passar. Só que escolheu o caminho mais fácil - apontar o dedo a toda a gente.
E não o fazemos todos? Não é isso que fazemos quando nos dói a alma? Aqui é que está a questão. Por muito interessante que o livro seja, acaba por ser um apontar dedos a toda a gente. É isto que faz o livro em quase 99% das palavras que usa. Talvez esteja a exagerar um pouco... É um livro em que precisamos mastigar muito, remexer muito em nós.

Clay, um dos únicos “conscientes” de todos os personagens, leva-nos pela narrativa pela sua própria voz. Isto mexeu comigo. Colocou-me lá, fez-me também mexer no logo e cheirá-lo. É isto que torna o livro forte. Somos nós, afinal, cada um de nós que estamos na pele dele e queremos salvar Hannah. E não podemos fazer nada. Tal como Clay. Ficamos frustrados. A ideia do autor vai de encontro com o final. Se não conseguimos salvar toda a gente, ao menos podemos ajudar a salvar alguns dos jovens que vão aguentando sem se destruírem totalmente. É um abrir de consciências.

A minha questão é que o livro passa a mensagem de que são os outros que têm de nos salvar de nós próprios e na verdade a vida não é assim. Ok, todos nós podemos ajudar uma pessoa nessa situação, mas... é sempre decisão da própria pessoa salvar-se ou não.




Quando Hannah pede ajuda, não é para se ajudar, foi mais uma forma de se vitimar mais uma vez. Este pode ser um dos perigos do livro - usar estas estratégias para nos vitimarmos, apontar os dedos a toda a gente para que não olhem na nossa direcção. Seria interessante se alguém se matasse e começasse a enviar cassetes e vídeos para toda a gente que @ magoou. Que linda forma de vingança! Que linda forma de apontar o dedo a toda a gente! E como se sabe, não se consegue contrariar um morto.

É interessante como ela se vê em todas estas situações. Podia tê-las evitado mas nunca o fez. Já tinha uma história de bullying anterior (subentendida) mas, mudando de cidade, mudando de escola... os problemas seguiram-na. Por que será? Será que as pessoas foram atrás dela? Ou foi ela que levou as mesmas atitudes com ela, onde quer que fosse?

A co-responsabilidade é o que nos coloca no meio das situações de bullying e também é o que nos retira delas. Só quando percebemos que tivemos um papel em tudo o que nos aconteceu e vai acontecendo, só quando isso acontece é que recuperamos o nosso poder (que damos aos outros quando os acusamos de tudo) e finalmente aprendemos com as situações.

Foi isto que aprendi durante estes anos em que fiz de "Vítima" profissão.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

As Queixas


Mais palavras para quê?


Hoje vou escrever sobre o "corpo de dor".
Este é o nome que o Eckhart Tolle deu à dor que todos sentimos e fala dela como se de um verdadeiro corpo se tratasse.
Até certo ponto, é mesmo assim. Nós tomamos as dores psicológicas como se tivessem um corpo, como se fossem reais e até certo ponto são. Ou melhor, nós tornámo-las reais, não é que elas o sejam. Se tentarmos delimitar, pegar, materializar a dor, com que ficamos? Nada! É esta a verdade da dor. Somos nós quem a cria, somos nós quem tem o poder de a fazer desaparecer, desmaterializar.

Sabem quando se pega nuns óculos de lentes azuis e passamos a ver tudo azul? Pois é assim que funciona o corpo de dor, como uns óculos que usamos e, através dos quais, toda e qualquer experiência, mesmo boa, é experimentada como dolorosa.

 Dor gera sempre mais dor

Um ego magoado vê tudo dessa maneira, sob este ponto de vista. Parece que Einstein disse um dia que todos nós temos de escolher se achamos a vida nossa amiga ou inimiga. É este o mesmo princípio. Se observarmos a vida de um ponto de vista antipático, é isso que vamos receber.

Quando observamos um copo e ele está com a água pela metade... Está meio cheio ou meio vazio? Responde a esta pergunta simples e saberás como vês a vida. O copo não está nem meio cheio nem meio vazio. Metade é neutro. Nem positivo, nem negativo. É o nosso ego que classifica as experiências que temos e sempre através desses óculos. E se usamos uns óculos de dor? É dor que vemos.

Está em cada um de nós o poder de retirar esses óculos. A vida não é nem boa, nem má. A vida apenas acontece. A Natureza apenas acontece. Todos os dias, pessoas nascem e morrem. O equilíbrio vai-se mantendo. As tempestades seguem-se às bonanças, as bonanças às tempestades. Nada é novo. É tudo cíclico.

A dor tem o seu tempo, depois vem o prazer. E se quisermos sair deste ciclo vicioso, é notar quão inócuo tudo é. Se deixarmos de classificar e apenas observarmos a vida como ela é, vamos ter uma surpresa.

Quando tenho dores físicas, por exemplo ao caminhar, e sinto pena por não caminhar, é quando a dor demora mais a ir-se. Porque a natureza da dor é indicar que algo está errado, ela não precisa ficar. Mas de vez em quando nós gostamos e precisamos de nos queixar. Serve-nos algum propósito. Há sempre algo a ganhar... Por isso nos agarramos à dor. Quando era miúda, comíamos um bolo depois de irmos ao médico, especialmente se estivéssemos doentes. Então, segundo esta experiência, aprendi que se estivesse doente teria mais cuidados e atenção. Tinha mesmo direito a comer doces. Era uma vantagem enorme! E as vantagens ainda são visíveis agora. Quando não precisar de estar doente para achar que mereço atenção e do melhor quando estou saudável, então ultrapassarei esta necessidade. Sou eu quem o poderá fazer, e quando quiser.

 Eckhart Tolle

Assim funcionamos todos. Aprendemos em crianças, com os nossos pais e não só, como actuar, como reagir às mais variadas situações e, quer seja bom ou mau para nós, quer nos dê ou retire valor, continuamos a repetir os comportamentos aprendidos. Sentimo-nos magoados por coisas e gestos de pessoas que estão a milhas de distância de imaginar que nos magoam - sim, há excepções - e não largamos essas dores porque queremos ter razão.

Não é interessante?

Quem seríamos nós sem a nossa razão?

Livres e felizes! 

Por que será que a felicidade nos assusta tanto?
Ser responsáveis por tudo o que fazemos dá trabalho, ou se calhar nem é isso. É o medo de tentarmos e não sermos capazes. Medo de provar que realmente todas aquelas afirmações que toda a vida nos disseram, estão certas e nem tentamos contrariar. Preferimos nem saber a verdade profunda do nosso ser.

Pela minha parte, estou agora a dizer basta. Quando alguém me diz algo bom acerca do que escrevo ou faço digo "sim senhora, mereço-o!". E por que não haveria de merecer? E quando faço algo errado digo "Que tenho a aprender aqui?”.
Há sempre algo a aprender. Não existem experiências negativas, apenas desafios a superar, lições a aprender.

De cada dificuldade posso fazer um degrau para subir mais alto, até onde a alma deseja chegar. Até onde a LUZ crê que merece pertencer. E todos nós temos tanta LUZ! Somos todos tão lindos, que é uma pena estarmos tão cegos pela nossa dor. Estamos habituados a viver na escuridão, pensamos que a LUZ nos vai magoar... cegar. Pelo contrário! É a nossa LUZ interior que nos transporta para a vida. É ela que nos preenche de AMOR. De PAZ.
De tudo aquilo para o que nascemos. E que tal descobrir qual a nossa missão aqui na terra?

Está a ser uma aventura fantástica!


quarta-feira, 14 de março de 2012

As Crenças


Hoje confrontei uma ideia com uma pessoa... Confrontei-me comigo. Sou sempre eu. Crenças - o que são? São coisas em que se acredita mesmo sem haver provas. Todos nós temos uma quantidade delas que deixamos regerem-nos. As crenças podem, de repente, ajudar-nos a viver ou simplesmente arruinar-nos a vida. O mais certo é acontecer a segunda hipótese. Todas as crenças são limites. Havia um povo que acreditava que o céu iria cair-lhes em cima... Quais são as crenças que nos impedem de viver plenamente? 




A crença de que estamos separados de tod@s, por exemplo. A crença de que temos de ter cuidado com o que dizemos e expomos sobre a nossa vida... Não precisamos de andar por aí a mostrar-nos a torto e a direito até porque muita gente não perceberá o que fazemos e dizemos, nem precisam. Mas exibicionismo é uma questão que nem sempre é bem vista, nem precisa de realmente o ser... - isto é outra questão. Eu sou o que sou e não o que os outros pensam que sou.

Uma crença como a de que uma pessoa sem religião tem de ser uma pessoa perigosa, por exemplo, é um pensamento completamente infundado. Uma pessoa sem religião tem tantas probabilidades de ser boa ou má pessoa como outra com religião. A moralidade não depende do factor religião. Ou uma pessoa homossexual ser má pessoa... Qual o fundamento disso? As crenças podem ser julgamentos infundados. Quando estamos a julgar as pessoas à nossa volta é como se usássemos um véu que nos impede de nos ver. Na verdade, quando estamos a julgar outra pessoa, apenas estamos a ver-nos nela. E tudo aquilo a que estamos a apontar o dedo, é o que negamos em nós. É o nosso lado sombrio, a nossa sombra. O que tememos que os demais descubram em nós. Por isso reagimos tão fortemente em determinadas ocasiões.

Quantas vezes são as pessoas mais puritanas que provocam escândalos relacionados com sexo?
Quantas vezes não tenta, a igreja cristã, acusar os homossexuais de estar a destruir a sociedade, quando os escândalos de violações a crianças, e não só, dentro desta mesma igreja é assunto constante nos jornais?
Enquanto aponto o dedo a outra pessoa, é provável que não olhem para mim. É por isto que apontamos o dedo. Mas esquecemo-nos que enquanto o fazemos, temos pelo menos outros 3 dedos apontados para nós e da nossa própria mão. Faça o gesto e comprove, veja os dedos que aponta para quem... Se a sua mão tiver cinco dedos e estiver a apontar um para a frente, para onde está a apontar os restantes?

O ego tenta enganar-se e aos outros tentando fugir da dor e acaba por simplesmente prolongá-la. (São os outros que nos provocam dor! - Diz o ego.) Daqui só vem mais dor. É inútil negar isto. O nosso subconsciente acaba por nos apanhar distraídos e detona a verdade sobre nós. O ego é cego.  
 CCCCcccc ego!

O que fazer com as crenças? Desmitificá-las. Ver se são mesmo verdade. Dar exemplos que podemos encontrar do seu contrário - garanto que existe o contrário. Sempre que uma crença quiser controlar-nos, acenemos-lhe com exemplos da verdade e as crenças desmoronam-se. Acreditamos que somos preguiçosos? Eu sou! Mas só quando não trabalho demais! Sou dorminhoca? Muito! Mas apenas quando não durmo de menos ou não durmo, simplesmente.

As crenças são inverdades em que acreditamos e que nos faz jeito continuar a pensar dessa determinada maneira, seja para termos razão ainda que nos prolongue o sofrimento, seja para... ter razão! E o ego adora ter razão nem que pague caro por isso.

A liberdade só acontece quando desconstruímos todas as crenças limitativas.