Gaia (Adoa Coelho)

Gaia é a personificação do antigo poder matriarcal das antigas culturas Indo-Européias. É a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte. É a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo. Nos mitos gregos, os conflitos entre Gaia e as divindades masculinas representam a ascensão do poder patriarcal e da sociedade grega sobre os povos pré-existentes.

quarta-feira, 14 de março de 2012

As Crenças


Hoje confrontei uma ideia com uma pessoa... Confrontei-me comigo. Sou sempre eu. Crenças - o que são? São coisas em que se acredita mesmo sem haver provas. Todos nós temos uma quantidade delas que deixamos regerem-nos. As crenças podem, de repente, ajudar-nos a viver ou simplesmente arruinar-nos a vida. O mais certo é acontecer a segunda hipótese. Todas as crenças são limites. Havia um povo que acreditava que o céu iria cair-lhes em cima... Quais são as crenças que nos impedem de viver plenamente? 




A crença de que estamos separados de tod@s, por exemplo. A crença de que temos de ter cuidado com o que dizemos e expomos sobre a nossa vida... Não precisamos de andar por aí a mostrar-nos a torto e a direito até porque muita gente não perceberá o que fazemos e dizemos, nem precisam. Mas exibicionismo é uma questão que nem sempre é bem vista, nem precisa de realmente o ser... - isto é outra questão. Eu sou o que sou e não o que os outros pensam que sou.

Uma crença como a de que uma pessoa sem religião tem de ser uma pessoa perigosa, por exemplo, é um pensamento completamente infundado. Uma pessoa sem religião tem tantas probabilidades de ser boa ou má pessoa como outra com religião. A moralidade não depende do factor religião. Ou uma pessoa homossexual ser má pessoa... Qual o fundamento disso? As crenças podem ser julgamentos infundados. Quando estamos a julgar as pessoas à nossa volta é como se usássemos um véu que nos impede de nos ver. Na verdade, quando estamos a julgar outra pessoa, apenas estamos a ver-nos nela. E tudo aquilo a que estamos a apontar o dedo, é o que negamos em nós. É o nosso lado sombrio, a nossa sombra. O que tememos que os demais descubram em nós. Por isso reagimos tão fortemente em determinadas ocasiões.

Quantas vezes são as pessoas mais puritanas que provocam escândalos relacionados com sexo?
Quantas vezes não tenta, a igreja cristã, acusar os homossexuais de estar a destruir a sociedade, quando os escândalos de violações a crianças, e não só, dentro desta mesma igreja é assunto constante nos jornais?
Enquanto aponto o dedo a outra pessoa, é provável que não olhem para mim. É por isto que apontamos o dedo. Mas esquecemo-nos que enquanto o fazemos, temos pelo menos outros 3 dedos apontados para nós e da nossa própria mão. Faça o gesto e comprove, veja os dedos que aponta para quem... Se a sua mão tiver cinco dedos e estiver a apontar um para a frente, para onde está a apontar os restantes?

O ego tenta enganar-se e aos outros tentando fugir da dor e acaba por simplesmente prolongá-la. (São os outros que nos provocam dor! - Diz o ego.) Daqui só vem mais dor. É inútil negar isto. O nosso subconsciente acaba por nos apanhar distraídos e detona a verdade sobre nós. O ego é cego.  
 CCCCcccc ego!

O que fazer com as crenças? Desmitificá-las. Ver se são mesmo verdade. Dar exemplos que podemos encontrar do seu contrário - garanto que existe o contrário. Sempre que uma crença quiser controlar-nos, acenemos-lhe com exemplos da verdade e as crenças desmoronam-se. Acreditamos que somos preguiçosos? Eu sou! Mas só quando não trabalho demais! Sou dorminhoca? Muito! Mas apenas quando não durmo de menos ou não durmo, simplesmente.

As crenças são inverdades em que acreditamos e que nos faz jeito continuar a pensar dessa determinada maneira, seja para termos razão ainda que nos prolongue o sofrimento, seja para... ter razão! E o ego adora ter razão nem que pague caro por isso.

A liberdade só acontece quando desconstruímos todas as crenças limitativas.