Gaia (Adoa Coelho)

Gaia é a personificação do antigo poder matriarcal das antigas culturas Indo-Européias. É a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte. É a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo. Nos mitos gregos, os conflitos entre Gaia e as divindades masculinas representam a ascensão do poder patriarcal e da sociedade grega sobre os povos pré-existentes.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Pingue-pongue das cores




O pintor deixava-se escorregar da cadeira. Deslizava como engolia a bebida desde há tempos para cá, sem consciência. Estava sozinho em casa tendo apenas por companhia aquela garrafa vazia como era já a alma dele. 

Houve um tempo em que não precisava dela, da garrafa. Era soberano na sua vontade e desejos - pensava. Despia-se da vida do dia-a-dia e prostrava-se frente a uma tela branca sem problemas existenciais. Já lá iam os tempos em que esta ligação acontecia. Já lá iam os tempos em que amava aquela tela em branco. A sua amante in-secreta em cujo dorso esboçava todos os desejos coloridos. 

A amada agradecia as linhas transformadas em formas e cores. Nada a fazia mais feliz. Mas deixara de ser única. O pintor a traia com outra. Uma garrafa. Enganava-a dizendo-se que ajudava. Ela sabia a mentira. Perguntava em silêncio, porque não lhe contava o que se passava. Nem ele sabia. Só percebia de misturar tintas, não de psicologia. Disso nada sabia, apenas que sentia.

Ela, triste, nada podia fazer que vê-lo daquela maneira e brancar.

Era assim que ficava agora, todas as noites. Sentia falta do carinho dos pincéis embebidos em sonhos que lhe amaciavam a pele. Qual bálsamo poderoso. Tinha saudades de se tornar beleza e perdurava nula.

Ele... Ele simplesmente apagava-se a cada gole. Bebia as lágrimas que nem chorava. Não conseguia. Esquecera-se como. Foi numa palavra que não conseguira dizer um dia. Depois outra. Essas palavras juntavam-se a afogarem-lhe a alma. Amarravam-lhe as mãos. Tolhiam-lhe os pensamentos. Foi um amor que deixou para trás, já nem sabia porquê, e que constantemente doía.

Não haveria de pintar mais nada até que todas aquelas palavras saíssem. As palavras sim, eram cruéis. E ele nunca soubera como as usar. Extravasar.

Tombando, pisava os tubos que se esvaziavam em surdina.

Estavam assustadas. Nunca ninguém imaginou o que seria para as cores abalar do sono ancestral. Tinham medo, muito medo. A primeira luz das suas vidas. Que era aquele ser? O que seria aquilo que as iluminava? Pois não sabiam responder, mas estavam felizes. Pela primeira vez na vida podiam mover-se livremente. Que medo sentiram! Mas que estranho! O medo passara tão rápido! Como era possível? Era a alegria um anti... para o medo? Ou a verdade?

Tentaram agarrar-se a tudo o que podiam mas escorregavam das paredes, da paleta, dos papéis, das telas já usadas. Até mesmo daquela em branco. Saltavam, espichavam, esborratavam. Faziam ricochete, re-saltavam. Como saber o que fazer? Haviam sido sempre controladas na vontade. Agora que se viam soltas tinham medo. Era tudo livre demais, para elas, que não sabiam o que fazer com cada segundo de liberdade solta que ganhavam. Cruzavam-se no ar. Perguntavam quem eram as outras gotas de tinta.
Que lhes havia acontecido? 

- Morreram. - Comentou uma das gotas de cor... - Que triste fim! – Censuraram as outras.
- Que triste, quê? Já viram o leito de morte? - Perguntou uma delas. Foi quando se depararam com o todo. Até aí apenas viram parte do Mundo, e que Mundo tão pequeno e estranho. Primeiro apertado e escuro... agora... Que estranho!

– Pois, assim deve ser o Mundo. - Olhavam o atelier.

Saltavam e pingavam por toda a sala. Ping, ping. Ganhavam consciência súbita. Porque é assim que as coisas acontecem ou não. Às vezes estamos descansadamente dormidos e a consciência aparece desta maneira, de súbito. E elas já não tentavam agarrar-se a nada. O que borratavam ficava borratado. Já não tinha importância. Não queriam saber. Tinham o direito de ser. Agora! Ao fim de tanto tempo. Não se importaram mais com a beleza. Enlouqueciam. Existiam. Bebiam também elas mas de si próprias. Felizavam-se. 

Eram porque desconheciam tudo o resto e viviam o que tinham para viver na totalidade. Eram o que eram. Sem perguntas, sem pensamentos que as atrasavam no ar a meio de um salto.

Respigavam linhas. Faziam-se mais pequenitas e nem notavam. Deixavam um rasto colorido do qual o arco-íris teria inveja. Mas só por estar preso àquela ordem imutante. Elas, as gotas de cor, como livres que se viam, faziam arco-íris permanentes e com manchas de todas as cores. E faziam-no por inspiração.
As gotas de tinta saltavam felizes pela sua recém-ganha liberdade. Estavam contentes por estar ali. Não sabiam o que esperar desta nova coisa, a liberdade, por isso faziam tudo o que de repente pensaram fazer. Saltavam, cantavam... se é que uma gota de cor faz o que se chama de cantar, mas faziam música à maneira delas. Foi um impulso que as envolveu. E aproveitaram. Quando se viram sem limites, quiseram aproveitar tudo.

Pulavam e ao fazê-lo notaram que ao tocar em certos materiais faziam ruído. Era esta a música delas. O rádio do pintor, ao som do qual ele sempre pintava, estava calado, falecia no chão mudo como os olhos do pintor estavam cegos, dormidos. Geralmente coincidiam. Olhos fechados, música fechada.

Qualquer coisa acordou o pintor. Parecera-lhe que vivera um sonho. Voltou a adormecer. 

Sonhou que as cores lhe falavam. Que a tela branca conversava com ele. Tinha voz finalmente. As lágrimas corriam-lhe pela face dormida. Mas não era inconsciência que vivera. Era a realidade última que sempre se negara a ver. Queria ser o dono e senhor do que fazia e de repente, via com clareza que não controlava nada. Que era apenas servo de qualquer coisa desconhecida e maravilhosa. Obedecia-lhe por ser fraco. É assim que a arte escolhe quem lhe há-de servir, pela fraqueza.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

As chaves

Tilintam. Sabem ao que vão.
Soam ansiosas. Os olhos confirmam o caminho. As chaves também. Tilintam. Preparam-se.

Cada passo tling, depois tlang. Depois tic, depois tac.
Irritantemente metal.

Depois o coração, a pouco e pouco comuta o marca-passos. A respiração acompanha. Pesa nas escadas, em cada degrau.

tic, tac tling, tlang.
Automático.
Irritantemente frio.

Não há voltar atrás. São as chaves que o dizem. São as mestras que ditam onde estou, onde vou.
A cabeça ficou no ontem. Recusa-se a avançar. A aceitar o ali, aqui. Quer voltar e não pode.
 - Não é possível. Fizeste uma escolha!

tling, tlang... tic, tac

As pontas dos dedos lembram-se, ao percorrer cada chave, qual a que vai selar o futuro próximo. Os dias e meses próximos.
- Não há outra maneira?
- Para já não.
O diálogo surdo da mente continua, cego às escadas.

tic, tac
Irritantemente real.

As chaves caem. Os dedos na última tentativa de resistir à realidade...

tic, depois tac...
tic, tac

O tling e tlang atados nos dedos. Sabem que de seguida se soltarão. Não têm que fazer nada. Há uma rotina. Uma chave apenas que avança. Polegar e indicador conhecem-na. Apontam-na. Ah! Espada ingrata. Vais directa à fechadura. 

Não entres!
Não!

A ferida aceita a espada. E não é ela que sangra...
A porta abre-se. As chaves tilintam mais uma vez agora abandonadas no seu crime... Entro. Os rostos reencontram-se. Os olhos reconhecem-se. Um sorriso forma-se em cada lábio para se encontrarem.

tic...

O tempo não pára. Param os desejos que ficam por atrás da porta. Lá fora. E dentro, fica a realidade. Assim.

tac...


domingo, 9 de outubro de 2011

O Gelo e a Folha

Era um cristal. Mas não era um cristal daqueles que simplesmente fica pousado num móvel ou pendurando num qualquer tecto de um qualquer palácio fenomenal. Este encontrava-se pendurado no céu. Olhava o Mundo desde cima e ameaçava cair cobrindo tudo de frio. Não tinha culpa ou pena por ser assim. Era-o apenas. Sabia que podia ser terrível. Muitos seres o temiam. Tremiam.


Decidiu-se a descer. Talvez fora um ímpeto interior mais forte, talvez fora alguma força maior que ele e caiu. Bastava de observar o Mundo, agora actuaria nele. Caiu com força. Rápido. Tinha pressa de fazer o seu destino, de ser quem era. Rodava no seu eixo de gelo e lançava braços em seu redor. Queria chegar a tudo. Atingir tudo. Do lar deixado para trás, já não tinha saudades. Tinha uma tarefa a cumprir, qual soldado em missão de vida. Levava a raiva de ser o primeiro a cair nesse Outono. Era suicida a missão, sabia-o.
Ainda lançado na sua raiva, aproximava-se das árvores. - Haveria de as congelar – pensava. - Para a eternidade.

Vinha do Mundo branco lá em cima, sem cor, e à medida que se aproximava e percebia as cores pela primeira vez, apaixonava-se. Agora os seus braços gelados estendiam-se para poder tocar. Observava.

Ela sustinha-se pela última linha de fibra que a agarrava à mãe árvore. Despedia-se. Tão pouco sabia porquê. Tinha de ir. Porquê? A separação custava-lhe tanto. Crescera e vivera sempre ali. Cantara com os pássaros, balançara com o vento. Brincara com a criança que esperava que ela caísse, mas só agora o fazia. A criança desistira. Ela ria-se! A criança pedira aos pássaros que a ajudassem. Que o vento a derrubasse. Que os insectos a cortassem do ramo. Pediu-lhe pessoalmente.. A folha, como só podia ser, era. Ali. Dançava quando era a hora. Juntava lágrimas do céu na sua palma e quando as tinha suficientes, largava-as em cascata. Passava-as a irmãs. Tentava apanhar a criança molhando-a. Queria tanto brincar com ela...
Neste dia cantava. Cantava como nunca o havia feito. O vento ventava-lhe a música, ela juntava-lhe a voz. Fazia coro com as irmãs. Estava feliz. Mas estava triste. Aquela fina linha de fibra estava prestes a quebrar-se. Chegara a hora. 


O cristal... Não fez por mal... Vira-a ali tão linda e quisera tocá-la. Quisera sentir-lhe a pele dourada. Ela era dourada! Mas ela assustara-se e levara a mal. Foram uns segundos apenas. Foi o tempo de se saber liberta e temer a liberdade. 

- Desculpa! – Disse-lhe o cristal. 

Foi quando ela o viu. Era o primeiro cristal de gelo que via na sua vida. Estava avisada que seria frio, terrível... TEMÍVEL! Tremeu sim e esqueceu-se do temer. – Ah!!!! 

O tempo, doce como só ele pode ser, parou-se. Enquanto caíam dançaram os dois, encantados com a beleza um do outro. – Tu és beleza! 

As ranhuras da folha também se estendiam para tocar o gélido cristal. Tocavam-se gentilmente. Giravam. Olhavam-se de todos os lados. Riam! Bailavam às notas do vento. Sorriam. - Quem és tu, que te amo?!

- Sim, Amo-te! – Diziam. E sem se conhecer, conheciam-se.

A eternidade mandara o vento, seu filho - Vai. Dá-lhes esta dança. – Ordenou. O vento fez o que sabia fazer. Abriu a bocarra e soprou. Os amantes não notaram. Como, se viviam?

Quando enfim a folha se deitou no leito de terra, acolheu em si o amante inesperado. O cristal de gelo aconchegou-se entre as veias da sua cama de folha e perdeu-se na existência.

Ela esperava pelo retorno do amante enquanto também ela desvanecia... O frio apoderou-se então dela pregado na saudade. Fora um Amor breve, diriam uns, mas fora total enquanto durara.

(Este texto foi escrito com inspiração de uma música de António Pinho Vargas tocada ao vivo por improvisação - 9 de Outubro do ano de 2011)

terça-feira, 1 de março de 2011

O Mundo das Árvores


- Bom dia, senhor Acácia!
- Muito bom dia, senhora Acácia!
- Pronta para mais um dia de trabalho?
- Sempre! Vamos render agora o turno. O Sol já quer nascer...
- É. Férias é só para quem pode.

Os senhores e as senhoras Acácia estavam sempre muito ocupados com os seus afazeres. Trabalhar com a terra era tarefa árdua, ainda mais quando esta pouco colaborava com nutrientes ou os céus faltavam com a chuva. Faziam o melhor que podiam, a cada dia que nascia. Afinal, tinham herdado de seus pais, não só o ofício, como a capacidade e amor àquela arte.

Obstinadas, conduziam os milhões de trabalhadores que baixo as suas colocações, haviam de cumprir as ordens do dia. As auto-estradas sempre ocupadas, mas nunca, nunca congestionadas, transportavam os produtos transformados e por transformar. A organização tinha de ser perfeita para que a cidade, corpo do ser, funcionasse e cumprisse o seu destino. As raízes subtraíam a matéria-prima que, em fileira, de baixo para cima, sem desperdício quer de tempo, quer de materiais, seguia para os escritórios e daí, para o resto da árvore. As células-escritório, peritas em organização empresarial, distribuíam tudo sem favorecimentos. A árvore, alter-ego da cidade, exigia que todos trabalhassem para o bem do um. Isto supunha que, dependendo das necessidades actuais, as respostas deviam estar à altura. Não havia lugar a reclamações ou greves. Já sabiam que todos ganhavam igual e trabalhavam também em igual medida, em turnos que apenas variavam segundo as estações do ano. Se bem que no inverno descansavam um pouco mais, no verão, a produção aumentava. A produção de flores seguida dos frutos, o aumento de horas de luz assim o ditavam, assim tinha de ser. Em especial os aeroportos - com a respiração na noite diminuída, a criação de oxigénio aumentava com as horas do dia a alongarem-se, para além da admissão de novos insectos. Uns ficavam apenas para almoçar ou tomar um pouco de sol, mas havia os que ficavam numa estadia mais prolongada, o que significava igualmente mais trabalho para as secretárias nas células. A recepção dos hotéis da cidade tinha de funcionar ordenadamente, os casos de sobrelotação estavam listados a vermelho e trabalhadores eram severa e invariavelmente advertidos caso alguma falha acontecesse. As ordens eram claras: 

- Insectos de porte maior, devem ser deixados cair dos aeroportos e a sua estadia proibida. Outros animais devem ser expulsos caso não tenham contrato firmado com alguma das fábricas da cidade e se se recusarem a ir, mão-de-obra especializada na defesa – apenas trabalhadores temporários com autorização de residência – devem ser chamados a actuar. 

As formigas e outros insectos, bastante profissionais por sinal, recebiam à comissão e quando este método não funcionava o ataque químico revelara-se bastante eficaz; que o dissessem as girafas que ignoraram os avisos dos espinhos... A enérgica acção de defesa das Acácias que se seguira fora radical. O serviço de mensageiros, entre entidades arborícolas, actuara na perfeição e dera aos generais a maior vitória das suas vidas. Não estivessem agora a desempenhar outras funções, ainda hoje estariam a festejar essa glória – a queda dura do inimigo.


Ainda que com tanto trabalho, a vida conseguia ser bastante agradável. Não era nada como a daquelas árvores nas cidades em que os ramos serviam para vandalizar, eixo de baloiços e marco de namorados. O cúmulo dos cúmulos acontecia quando as folhas caídas lhes eram retiradas dos solos, em vez de retornarem pela decomposição, à árvore-mãe... As notícias que por vezes ouviam, contadas pelos ventos, eram tenebrosas... Segundo o que se contava, árvores havia que, por dizerem não servirem para nada, eram sacrificadas sem qualquer sinal de apreço por serviços prestados. Por isto mesmo, todas as árvores vizinhas e não só, tentavam o mais que podiam, fazer horas extraordinárias. Era uma vida de sacrifício. As únicas alturas em que se permitiam um pouco de prazer, era durante os festivais de Primavera e Outono. Nessas alturas era vê-las, todas aperaltadas, vaidosas. Cada qual a mais bonita. Gabavam-se de ter fotógrafos e artistas a admirá-las e faziam-se ainda mais bonitas, como se possível fosse.

Mas tão-pouco se perdiam nesses apreços passageiros perante o muito tinham que fazer. As reparações constantes tanto da cidade interior como exterior e as mudanças de escritório pois estes ficavam disfuncionais se não actualizados, preenchia o tempo disponível que poderiam ter para desfrutar até dos seus novos produtos que se esforçavam por criar. “Suco de clorofila” era a novidade do Verão e as campanhas publicitárias começavam agora a arrancar.
 
“Quer sentir-se fresco e bem este Verão?
Beba “Suco de Clorofila”. A sua regeneração!”

sexta-feira, 7 de maio de 2010

The crying Child

- Why does he cry mum?




As soon as his eyes opened he smiled!

Everyone got astonished and couldn’t help but to smile too, endlessly. What a beautiful and contagious smile! Unlike every other newborn, this one didn’t cry but smiled and all the room was suddenly filled with this warmth… Though, it didn’t take long until he did cry. And he cried as if someone was hurting him. He cried as if he had some problem… They found nothing… Only that the formally lighter day had grown darker.

He cried so much that all doctors and nurses came to see what was going on. Every one hugged him, fed him and sang to him. There was no use. He wouldn’t stop.

…

After some weeks, they were all desperate. Science couldn’t explain what was going on. There was something of terribly wrong with that infant, but what?

His hair grew strong and fast. It looked kind of grey as if it was in such a hurry to grow that it simply forgot the color behind. Furthermore, he started to control his crying but never the tears that continually flowed. He never could.

…

As he went to school, all the other kids were very curious:

-Why is he always crying mum? - No answer was given…

Without small ears hearing it, parents talked between themselves about the news… They remembered this story of a little boy that wouldn’t stop crying… Was he the one? Nothing on him was denouncing of something any different of any other kid that same age, except for the tears. Oh yes, the hair was a bit strange too!

All the other kids, perhaps moved out of curiosity or some kind of magnetism, wanted to play with him.

…

Years gone by, still the hair reflected the colors for it no color had. Still it floated as if it were alive. People passing by him would stop and take their time just to stare, forgetting everything else. The school friends would always draw him in the drawing classes… -He is so colorful! - They used to say! - More than flowers or butterflies themselves, he was like a personification of color. Everyone couldn’t even stop smiling while at his side. Dogs and cats would follow him all around!

…

One day, after flying so close to him that it pulled the boy’s hair, a small bird, due to not much experience having in flying, went against a wall. Poor bird got very dizzy and fell to the floor. Running to help it, our hero gently grabbed it and gave his own tears to drink. With the smallest jump it recovered its breath, and looked into the boy’s grays eyes. - Thank you – Thought the boy he heard – He just smiled and let it go.

…

One day a colleague noted something was quite different. Trying to find out why he looked around. In the classroom others had the same impression. Why was everyone smiling? The boy had no more tears falling down his face… One of them started to laugh. Like a domino, one-by-one joined it. In the following classrooms the sound of laughter made them also adhered!

The next day in the news – The last of the wars still existing has finally ended yesterday – Said the reporter also laughing! He couldn’t say why exactly because each person there with him was laughing out loud too!

…

An astronaut in a mission, suddenly call for his companions:

- Come, come!

- Why are you…?

- Laughing? Check out our Planet Earth…

It was involved in the most wonderful Rainbow colors they’ve ever seen!

Then, even the last cynical man alive laughed!

…

Perhaps, one day grownups will understand why little boys cry…

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Espelho sujo

É assim que me sinto...
Durante toda a minha vida me vi como um espelho que reflectia toda a gente que me observava, agora vejo-me alterada por essas mesmas pessoas, como se me tivesse sujado com as coisas más que nelas vi...

Não me reconheço ou fui sempre assim?

"Mirrors"


"Once upon a time there was a planet. In this planet there was a country. In this country there was a village. In this village there was a store.

The owner liked his job and was always very nice to everyone.

Every morning as he was outside cleaning the store windows, people would pass and compliment him:

- Good morning Mr. Monkey!

- Good morning Mr. Smith! – He would answer…

Another client would pass and say:

- Hello Mr. Camel!

- Hello Mr. Johnson! – He would reply…

And still another one would pass and:

- Hi Mr. Dog, how are you doing today?

- Hi Mr. Philips, I’m fine and you?

(…)

Day in, day in until the night came and he had to close the shop, he would always retrieve his costumers with gentleness and respect.

Before going to bed, he would kiss his wife good-night by telling her how much he loved her and she would respond:

- Good-night my sweet dear Mr. Mirror!

Sometimes when you think that what you are seeing is the other person; all you are actually seeing is yourself… in a mirror…"