Gaia (Adoa Coelho)

Gaia é a personificação do antigo poder matriarcal das antigas culturas Indo-Européias. É a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte. É a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo. Nos mitos gregos, os conflitos entre Gaia e as divindades masculinas representam a ascensão do poder patriarcal e da sociedade grega sobre os povos pré-existentes.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Segredo

Ao nosso redor, existem tantas coisas que não podemos ver, que não conseguimos sequer imaginar.


Antes e para além do arco-íris, além do seu início e do seu final, em todos os lugares! Mesmo quando olhamos para o céu, passando as nuvens e o sol.

É aí que ele vive.

- Quem? – Perguntam vós.

Xiu!... Falem baixo! Bem, acreditariam em mim se lhes dissesse que é uma espécie de dragão? Mais do que um. Na verdade existem milhares deles, a voar por toda parte!

Mas têm que fazer um esforço para acreditar em mim, porque, vocês sabem, nós não podemos vê-los. Bem... Não podemos ver todos, excepto um.

Este...

Vou falar-vos dele...

Ele era um pouco desajeitado. Sempre a cair, sempre a tropeçar em alguma coisa...

Todos os outros dragões diziam-lhe constantemente:

- Tem cuidado!

- Não te mexas!

- Está quieto!

- Está...



Creio que já devem fazer uma ideia, certo?

Bem, ele adorava brincar o tempo todo. E como todos os jovens dragões, ele gostava de jogar às escondidas e de divertir-se com as estrelas.

Mas ele era tão desajeitado!

Os dragões são invisíveis para que ninguém tente apanhá-los. É que eles gostam de ser livres. Eles gostam de voar e de observar-nos, aos seres humanos. Às vezes eles voam tão perto de nós que podemos até senti-los... Vocês sabem... Quando se sente aquela brisa morna e agradável? Sim! Às vezes, são deles!

Eles são muito curiosos!

Mas o nosso amigo era muito, muito trapalhão...

Este dia, estava ele a brincar com uma estrela - Tudo lhe acontecia...

- Não tenho sorte nenhuma! – Dizia ele.

Então, desta vez, ele tinha soluços.

- Hic, hic, hic...

Estava ele entretido a jogar com a estrela quando... Não sei se vão acreditar em mim...

Está bem, está bem! Eu conto!

Ele engoliu uma estrela - foi o que aconteceu!

- Não tenho sorte nenhuma, não tenho sorte nenhuma!... – Foi a correr para os pais, a choramingar.

Como podem imaginar, agora ele tinha esta luz na sua barriga. E todos podiam vê-la!

Os colegas começaram a chamá-lo de "lanterna"!

Muito triste, tentava esconder-se, mas não podia. A luz denunciava-o.

A fugir dos amigos, ele estava a voar tão rápido que ao passar perto do nosso planeta, se apercebeu - os seres humanos poderiam agora vê-lo - não a sua forma de dragão, invisível, mas a estrela que ele tinha engolido.

O engraçado - pensou - era que os seres humanos formulavam um desejo quando ele passava.

Da sua má sorte, ele trouxe esperança e fortuna para os demais.

Portanto, meus amigos humanos, de cada vez que virem uma estrela cadente, peçam um desejo. Pode ser o nosso amigo dragão da sorte a brincar, acenando-nos “Olá”!

2 comentários:

Enio Myrddin disse...

Viajei lendo esse texto! Está ótimo, adorei.

Gaia disse...

Enio,

bem-hajas!
Cumpri o meu papel com a história...

Uau! Estou maravilhada!