Gaia (Adoa Coelho)

Gaia é a personificação do antigo poder matriarcal das antigas culturas Indo-Européias. É a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte. É a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo. Nos mitos gregos, os conflitos entre Gaia e as divindades masculinas representam a ascensão do poder patriarcal e da sociedade grega sobre os povos pré-existentes.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A MENINA QUE ODIAVA LIVROS



Lembro-me de quando estava na preparatória e tínhamos um livro que deveríamos ler em casa para depois trabalhar nas aulas. Chamava-se "Os meus Amores" e é de Trindade Coelho. 
A capa é branca, apenas com o básico e uma cornocópia azul.

Ainda antes desta experiência, quando ainda não sabia ler, eu lia bastante. Lia as imagens dos livros do Tio Patinhas e do Pato Donald que as minhas tias devoravam. Eu devorava-os também!

Custou-me imenso ler "Os meus Amores" porque achei que não estava adequado para mim, para os meus colegas, para a nossa imaginação de crianças. Mas tinha colegas que gostaram de o ler. Eu não.

Já nessa idade notei que era um livro onde nada acontecia e eu queria que houvesse mais acção, era demasiado descritivo. Foi um livro que marcou a meu finca pé com a literatura portuguesa. Recusava-me a ler os livros oficiais para as aulas de português. Mas não todos!

Adorei Camões! Amei Fernando Pessoa! Diverti-me imenso com Gil Vicente!
Era assim que a literatura deveria ser!

Compensava com idas à biblioteca e a secção de ficção-científica. A minha adorada Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia. Sempre que tínhamos um furo, zás! Biblioteca!

Com 13 anos descobri Dune de Frank Herbert. Todos os anos vejo o filme pelo menos uma vez e já li várias versões dos livros. Ainda hei-de ler a versão original. Foi uma marco na minha vida.

Outro marco, foi quando a professora de filosofia me indicou Virgílio Ferreira - Aparição.

Hoje leio autores portugueses com todo o prazer. Portugal tem autores fantásticos!!!
Lembro-me da capa do livro do Trindade Coelho porque mantenho a cópia desde então. De vez em quando leio e delicio-me como só agora posso fazê-lo.