O maior deserto que alguma vez encontrei foi em mim.
Em criança ia à praia, semicerrava os olhos e deixava a imaginação tomar conta da paisagem. Atirava-me para a areia escaldante e pedia: - Água! Água! – Gatinhava um pouco e - Água! – A voz tremia, qual actriz no papel da sua vida! Arrastava-me por fim, com um braço esticado até à extremidade dos dedos, suplicava as últimas palavras... – A minha vida por um pouco de água... Água!
A minha irmã entre o riso e a vergonha de alguém mais estar a apreciar aquele espectáculo, crescia. Com o tempo acabei por acompanhar esse processo fossilizante do corpo, quantas vezes da alma também - crescer.
Dei por mim a olhar um deserto que era meu. Observava a sua superfície e perguntava se apenas existia aquilo de mim. – Quão vazia sou...- Pensava. Procurei. Acabei por abrir-me. Passei a parede da pele. Encontrei gordura, veias, sangue. Parei. A dor estava à superfície, não dentro. Ou melhor, estava tão dentro que não seria assim que a encontraria...
Penso nas gentes do deserto, aquelas que creio nunca irei encontrar. Como sobrevivem elas? Como sobrevivi eu?
Olho o tubo de ensaio onde guardei a minha vida. Descubro que ali está o que não vi antes. Não sabia ver. Cá dentro, bem guardado, tenho vida para além da vida. Rios que se encontram; mares onde o Sol, meu coração, se deita e levanta conforme as alegrias e tristezas da mente. A minha terra, carne que movimenta as pedras, ossos que me estruturam, é fértil apesar de nunca ter gerado. Sou todo o planeta Terra por dentro. Como poderia alguma vez ser vazia? Estar vazia?
E o céu? Ah esse! Encontra-se bem no alto do meu corpo, nesse lugar chamado cabeça e é infinito. As nuvens formam-nas os caracóis dos meus cabelos, também se movem quando sopra o vento, embora pense muita gente que estão quietinhas. E as minhas também gostam de brincar às esculturas. Gostam, gostam, gostam! E querem ser livres. Tento controlá-las e elas repetem até eu ouvir – Não! Somos livres!
Que fazer senão aceitar? Que fazer, se são livres?
LIVRES!
Escrever um livro é como entrar numa montanha russa.
Podemos rir, gritar, enjoar, revirar as entranhas, até morrer, que ela só pára quando estiver satisfeita. Leva-nos por onde tiver de nos levar.
No fim, se a soubermos dominar... pode ser que nos pague do sofrimento...
A group of scientists wanted to know what Truth was. They started a survey amongst people in a country. As the group of scientists was heterogeneous, those with different nationality and religion wanted to ask their own people.
Soon enough governs of the World wanted to know it too. Totalitarian countries wanted to have their people telling that their country was the owner of it. In some countries they didn’t ask women, others didn’t bother to ask poor people or sick one or with a different religion... The excluded ones – because they thought they also knew what Truth was, started to rebel. No one asked young people, kids or babies – They couldn’t vote, so they didn’t count… Other countries, trying to look democratic, asked people directly about it and weren’t satisfied with the answers – some said that the party in the opposition was right instead of them… One country wanted to be proclaimed as owner of the very Truth! Its neighbors didn’t agree and proclaimed it to themselves. Other countries followed.
Everyone was talking about it. Babies continued to wet their diapers, kids continued to play their games and young people continued to listen to music, though some, in the urge to be grownups, entered the fight…
Scientists got to the conclusion that there were so many truths as people in the World.
But the confusion was already installed. Everybody was trying to force their point of view on everybody. From talking, they began to yell. No one heard any one anymore.
Two wise persons discussing the problem, at the end of many, many talking, started to see that their Truths weren’t so far apart as they thought in the beginning. At some point, they started to agree that Truth wasn’t a stable and an unchangeable thing. And that people could accept different points of views and even change their own minds in the process.
With this great discovery, they came out to the World!
- Listen, listen!!
But the yelling was so loud that they couldn’t be heard and besides, the ones that did, questioned their legality of being called of “wise” and telling everyone what was right or wrong!
When we try so hard to be right, we just forget to listen to the ones by our side. We sometimes even forget friendship and family. There are more important things in Life then to be right or to have power from it. To live Life is way much important then that!
(...)
É uma ditadura dos outros, já reparaste?
Sim, mas imposta por nós. Nós é que deixamos que isso aconteça. É sempre difícil remar contra as marés.
Queremos sempre agradar a todos, começamos pelos nossos pais, avós, professores... o namorado, a namorada... os colegas da escola, a nossa “aldeia”, depois o bairro... Quando paramos? Alguma vez paramos?
Acho que nunca... às vezes aparecem aqueles Punks, todos marados, dão a impressão de que não se encaixam em lado algum. De que querem ter um mundo à parte, de que fazem parte de um Mundo à parte. Observo-os de longe e penso. Fazem tanto esforço...
Esforço?
Sim, para não mostrarem que são iguais a nós. Criaram aquela carapaça de força e poder e superioridade... percebes?
Ahahah! Dizes que tudo não passa de uma farsa? Para encobrir a fragilidade deles?
Sim, claro! Se entrares no grupo deles verás. Têm medo de se separarem porque sozinhos não se aguentam de pé. É como tu e eu.
Tu e eu??? Mas estás doida?? Que temos nós a ver com esses gajos?
Não percebes ainda?
Mas perceber o quê?
Oh pá!! Que somos amigos porque nos sentimos apoiados um no outro, porque sem isso esta amizade deixaria de fazer sentido... Nós somos amigos porque nos sentimos mais fortes assim. Por isso tu apoias as minhas ideias e eu as tuas, temos os mesmos pontos de vista, porque nos é cómodo também... Vês?
Mas eu não concordo contigo só porque sim... concordo porque vejo e acredito na tua maneira de pensar, certo?
Claro que sim!! Porque pensamos igual! Senão ia cada um para o seu lado, não seríamos amigos... As amizades são sempre muito cómodas.
Ok, estou a ver o que queres dizer...
Vá lá!...
Mas há aqueles amigos que dizem coisas que te magoam...
Sim, é verdade. E quantas vezes os afastamos por isso, não é? A nossa vaidade tem de ficar por cima. Somos tão idiotas.
Ahahahah! Somos mesmo!
(...)
É assim que me sinto...
Durante toda a minha vida me vi como um espelho que reflectia toda a gente que me observava, agora vejo-me alterada por essas mesmas pessoas, como se me tivesse sujado com as coisas más que nelas vi...
Não me reconheço ou fui sempre assim?
"Mirrors"
"Once upon a time there was a planet. In this planet there was a country. In this country there was a village. In this village there was a store.
The owner liked his job and was always very nice to everyone.
Every morning as he was outside cleaning the store windows, people would pass and compliment him:
- Good morning Mr. Monkey!
- Good morning Mr. Smith! – He would answer…
Another client would pass and say:
- Hello Mr. Camel!
- Hello Mr. Johnson! – He would reply…
And still another one would pass and:
- Hi Mr. Dog, how are you doing today?
- Hi Mr. Philips, I’m fine and you?
(…)
Day in, day in until the night came and he had to close the shop, he would always retrieve his costumers with gentleness and respect.
Before going to bed, he would kiss his wife good-night by telling her how much he loved her and she would respond:
- Good-night my sweet dear Mr. Mirror!
Sometimes when you think that what you are seeing is the other person; all you are actually seeing is yourself… in a mirror…"
Uma porta aberta - É assim que eu vejo os livros.
Um AURYN para "Fantasia", que flui da nossa imaginação e nos leva nas costas de Falcor. Uma entrada semicerrada para os mistérios que detectives tentam resolver com a nossa cumplicidade. Ou das cavernas escuras em que os bandidos mantêm as suas presas. A pequenina porta da lanterna de Sininho e o seu suplemento de poeira para Peter Pan - Qual é o teu pensamento feliz?
Um acesso para o mundo subaquático ainda para desvendar... O inconsciente... A luz... A escuridão das noites de King que ganham vida... Ter medo... Ter coragem...
Uma abertura nas dunas do Saara guiando-nos para a savana, mas sem evitar os leões, aprender então com eles a caçar e a viver na selva. E aqui, agarrando um dente-de-leão no seu talo, voar no Cosmos do Sagan e contactar outras formas de vida. A experiência de não ter corpo, apenas alma, conhecer aqueles que foram antes de nós. E saber tudo! Tudo o que há para nós alcançarmos como conhecimento!
Uma porta para o universo da própria Vida.
Uma porta para o EU.
Trabalhar com livros... Escrever livros... Aqui está o meu pensamento feliz!
Cria em nós a expectativa do que irá ser, quando irá ser, como irá ser... Faz-nos sentir como crianças à espera do Natal.
É curioso que, como as crianças não têm ainda noção do tempo e o Natal tanto pode acontecer no dia seguinte como passados meses, esta expectativa mantém-se. E mantém-se enquanto a inocência e a infância perduram. É muito triste quando começamos a usar um relógio. Significa que deixamos de controlar o tempo, pelo contrário, passou ele a controlar-nos a nós. Temos de chegar sempre a horas a tudo. Começamos a comer porque são horas para o fazer e não porque temos fome.
É crescer.
É controlar o tempo, é controlar-nos a nós. É forçar a consciência do que começa e do que acaba, é perceber que o tempo passa quando antes totalmente o vivíamos. Deixamos de viver a vida ao minuto, deixamos de viver o momento como as crianças e passamos a desejar controlar os minutos. Enquanto tentamos isto, os minutos passam e ficou a tentativa gorada, a frustração.
Nisto, apercebemo-nos que perdemos demasiado tempo com toda esta questão e entretanto ficamos velhos. De repente vemo-nos a querer agarrar o tempo para voltarmos a viver e já não temos força ou saúde. Desperdiçamos a nossa juventude e energia com problemas que mais tarde vimos não terem importância alguma.
Porque não nascemos com sabedoria? Perdemos muito, muito tempo. Afinal de contas viver é viver. Simplesmente! Rir, comer, cantar, dançar, saltar, dormir... Perdemos tanto tempo...
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